Governo do Distrito Federal
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19/04/17 às 17h01 - Atualizado em 30/10/18 às 15h17

Simulador de cirurgia capacita profissionais no Hran

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Aparelho proporcionará mais segurança em procedimentos operatórios

BRASÍLIA (19/4/17) – Referência em tratamento de fenda palatina, que é a má formação do céu da boca, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) recebeu um simulador para esse tipo de cirurgia. O aparelho fabricado no Canadá, que custa aproximadamente R$15 mil, é feito de silicone com base de acrílico e representa a anatomia da cavidade oral com a má formação para que profissionais que ainda não sabem fazer o procedimento possam treinar na própria ferramenta. Nesta quarta-feira (19), foi realizado o primeiro workshop com residentes e profissionais.

O cirurgião plástico e coordenador do Serviço de Fissuras Lábio Palatinas, Marconi Delmiro, explicou que a inovação é uma maneira de incentivar profissionais a atuarem nessa área, além de tornar as cirurgias mais seguras, já que o médico poderá fazer o primeiro procedimento no aparelho e não no paciente.

“O simulador é realístico, ou seja, tem todas as características de uma fenda palatina que o cirurgião precisa conhecer para realizar o ato operatório. Isso facilita o treinamento tanto de profissionais formados que vão se capacitar nessa área, quanto de residentes, porque é possível fazer a cirurgia que tem alto grau de complexidade com um tempo maior, mais tranquilidade e sem os riscos de se causar danos e sequelas em um paciente”, explicou.

REFERÊNCIA – Segundo ele, há vários riscos de realizar esse tipo de procedimento pela primeira vez em uma pessoa, já que envolve áreas nobres da cavidade oral. “O cirurgião deve ter um conhecimento anatômico extremamente aprofundado e experiência para evitar lesões em vasos importantes como artéria, nervos e estrutura óssea, que se atingidos podem comprometer algumas funções e o crescimento facial”, citou Marconi.

“O Hran tem a tradição de ser referência não só em fissura, mas nossa cirurgia plástica também oferece tratamento de lábio leporino (abertura no lábio). Por isso, o objetivo é melhorar a qualidade do atendimento com o treinamento da equipe e oferecer qualidade, segurança e eficiência da cirurgia”, citou.

De acordo com ele, apenas neste ano, a equipe realizou 130 cirurgias de fenda palatina e lábio leporino. “Queremos oferecer às crianças com deformidade craniofacial a atenção para restituir a possibilidade da harmonia facial, sorriso, fala e de voltar as atividades escolares, sem sofrimento”, finalizou.

A equipe que atua no atendimento é multidisciplinar, formada por cirurgiões plásticos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionista, pediatras, ortodontista, psicólogo, cirurgiões crânio-maxilo e buco-maxilo, serviço social e o voluntariado.

O diretor do hospital, José Adorno, destacou que o aparelho foi doado por intermédio da Associação Brasiliense de Apoio aos Fissurados. “Por isso, temos que valorizar o trabalho do voluntariado, que tem sido essencial para desenvolver esse tipo de iniciativa”, finalizou.

ENTENDA – A deformidade da fissura lábio palatina ocorre entre a 10ª e a 14ª semana da gestação e pode apresentar diversas causas, como o uso de cigarro ou entorpecentes na gravidez, problemas gestacionais relacionados à diabetes ou também à genética. A cirurgia de correção dura entre uma hora e duas horas e meia.

Confira as fotos aqui.