Governo do Distrito Federal
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28/08/15 às 20h43 - Atualizado em 30/10/18 às 15h12

Situação da saúde pública do DF é debatida no Senado Federal

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Melhores condições de trabalho para os profissionais da área foi um dos temas do debate

BRASÍLIA (28/8/2015) – Melhores condições de trabalho e mais atenção à saúde dos profissionais que atuam nas unidades hospitalares do Distrito Federal. Foram essas as principais reivindicações apresentadas, nesta sexta-feira (28), em audiência pública para debater a crise no setor e as perspectivas para o futuro. O evento foi presidido pelo senador Hélio José, na sala da Comissão dos Direitos Humanos do Senado Federal, e teve a participação de representantes da categoria, dos usuários e do controle social.

O secretário de Saúde, Fábio Gondim, reconheceu que a falta de investimentos nos últimos anos e o desabastecimento da rede estão desmotivando os profissionais da área, que acabam ficando doentes. “É um círculo vicioso, porque os atestados acabam sobrecarregando quem está trabalhando e este acaba adoecendo também. Estamos trabalhando para melhorar isso”, garantiu.

A secretária adjunta, Eliene Berg, defendeu um pacto de colaboração mútua com os servidores e anunciou a criação do Grupo Mais (GMais). “É uma equipe multiprofissional que incluirá desde médico até administrador e terá a função de ajudar as regionais a traçar as estratégias em saúde. A ideia é melhorar a gestão e consequentemente a saúde dos servidores”, informou.

O presidente do Conselho de Saúde do Distrito Federal, Helvécio Ferreira, apoiou a proposta do pacto. “Nós, trabalhadores do SUS no Distrito Federal, temos os melhores salários do Brasil e a menor carga horária. Temos a responsabilidade de fazer um pacto com o usuário para resgatar a saúde”, afirmou.

 

DEFICIT DE PESSOAL – Fabio Gondim disse que não basta simplesmente contratar pessoas, é preciso gerencia-las. “Nós temos um gasto com pessoal que chega a 81% do orçamento, mas por outro lado faltam profissionais”, disse. Segundo o secretário, é preciso fazer uma reflexão sobre o DF ter um dos orçamentos mais altos na área de saúde e ainda assim termos tão poucos resultados.

Gondim destacou diversas medidas já tomadas nos seus primeiros dias de gestão. Entre elas, a atualização do sistema trackcare, que vai aumentar o controle sobre os medicamentos e insumos, evitando desperdícios. “Vamos saber para quem vai cada comprimido”, disse, ao citar também o protocolo de alta e admissão para otimizar leitos de UTI e a portaria para evitar que equipamentos fiquem encaixotados ou parados por falta de manutenção.

ORÇAMENTO – O chefe da Casa Civil do Distrito Federal, Sérgio Sampaio, admitiu que o maior desafio desta gestão é superar a crise na Saúde. Segundo ele, o governo vem fazendo o dever de casa, cortando despesas, como carros, gasolina, passagens áreas e 46% dos cargos comissionados, mesmo assim o déficit no orçamento de 2015 é da ordem de R$ 2,9 bilhão.

Sampaio disse ainda que, sem ajuda da Câmara Legislativa do DF, o governo terá dificuldades para fechar a folha de pagamento a partir de setembro, em função do reajuste de 30 categorias. “A folha de pessoal custa R$1,6 bilhão, e os reajustes vão gerar um acréscimo de R$ 150 milhões”, frisou.

“A situação em que vivemos hoje é alarmante, mesmo assim, temos buscado blindar a Saúde, limpando o orçamento de outras áreas para tentar garantir a manutenção dos serviços na rede hospitalar”, destacou Sampaio. Para o chefe da Casa Civil, é preciso ver qual Estado queremos. “Não é possível gastarmos três vezes mais com pessoal que o município de SP”, disse.

Para o promotor de Justiça de Defesa da Saúde do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Jairo Bisol, a Lei Orçamentária Anual aprovada para o Distrito Federal, com um orçamento para a Saúde 30% inferior a 2014, foi uma irresponsabilidade da Câmara Distrital e do governo passado.

O senador Hélio José, considerou a audiência positiva. “O nosso secretário e a secretária adjunta exerceram um papel importante comparecendo ao Senado para mostrar os dados e dialogar”, disse. “Conhecer os dados valerá muito na hora de definir as prioridades das emendas de cada parlamentar do Distrito Federal”, finalizou.

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