Governo do Distrito Federal
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12/01/21 às 15h56 - Atualizado em 12/01/21 às 16h34

Superintendente da Região de Saúde Central vê desafios e melhorias para a população

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Luciano Gomes fala das perspectivas da nova gestão a da retomada de cirurgias eletivas no Hran

 

JURANA LOPES

 

Vinte dias depois de assumir a superintendência Região de Saúde Central*, que tem o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) como a principal unidade da atenção hospitalar, o médico anestesista Luciano Gomes prevê pela frente um grande desafio, mas, vislumbra melhorias e conquistas que irão beneficiar a população. Uma delas é a retomada da capacidade do Hran de realizar cirurgias eletivas, com a abertura do Centro Cirúrgico, fechado há dez meses, desde o início da pandemia do novo coronavírus.

 

Luciano Gomes fala sobre os desafios na gestão da Região de Saúde Central – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

O superintendente anuncia que, com sua equipe e os profissionais de saúde que trabalham no Hran, tudo será feito para minimizar a longa fila de espera por cirurgias plásticas e pelas demais especialidades. Nesta semana, o Hran irá reabrir 10 leitos de UTI, de forma gradativa, e outros 10 da clínica cirúrgica.

 

O Hran tornou-se unidade-referência no atendimento e tratamento a pacientes com o novo coronavírus na capital do país desde março de 2020. De lá para cá, muitas pessoas passaram pela unidade, que continua atendendo esse perfil  nas emergências, sendo de atendimento exclusivo para Covid-19 os prontos-socorros da clínica médica e pediatria.

 

Desde dezembro à frente da superintendência da Região Central, Luciano Gomes trouxe sua experiência na gestão do Hospital Regional de Samambaia (HRSam) para a unidade hospitalar e demais unidades básicas de saúde e policlínicas que compõem a estrutura da região. Em entrevista à Agência Saúde-DF, Gomes falou sobre as perspectivas desse novo desafio.

 

 

Quais são os desafios que a sua gestão enfrentará à frente da Região de Saúde Central?

 

Serão muitos desafios. Chegamos e encontramos o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com as cirurgias eletivas paradas. Então, existia esse impacto com relação aos pacientes. Muitos na fila. Só na cirurgia plástica, por exemplo, há cinco mil pacientes esperando; vascular há mais 2.500 pacientes aguardando. Dessa forma, estamos estruturando o hospital e retornando de forma gradativa as cirurgias eletivas.

 

Como está a atual situação do Hran?

 

Estamos enfrentando um aumento no número de pacientes no pronto-socorro. Ontem estávamos com capacidade máxima de pacientes com Covid-19 no PS. A ala da cirurgia plástica e dos queimados, no PS, por exemplo, continua dividida entre Covid e não Covid. Lembramos que o Hran é referência para queimados e plástica. É aqui que o paciente procura por esse atendimento. Mas, estamos preparando essa divisão entre os pacientes. Mudaremos o fluxo com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) para fazer um trabalho junto ao Pronto-Socorro de forma a separar paciente considerado gripal de não gripal, de uma maneira muito bem organizada. Além disso, pretendemos ampliar o número de médicos da clínica médica para prestar um atendimento com mais fluidez e deixar o paciente o mínimo possível no pronto-socorro.

 

A reabertura de leitos já é uma iniciativa da sua gestão. Qual é a importância disso?

 

Além de leitos de UTI, reabrimos também alguns leitos da clínica cirúrgica para fazer internação desses pacientes. Os pacientes estavam tendo que se recuperar por muito tempo dentro do centro cirúrgico porque não havia leitos na enfermaria cirúrgica. Faz parte da nossa gestão tentar prioritariamente minimizar esse problema da fila cirúrgica.

 

Como será o enfrentamento da Covid-19 no Hran?

 

Estruturamos um trabalho de equipe relacionado à Covid-19, com pessoal do gabinete e o Conselho Gestor, que foi montado depois que assumimos. Já há um fluxo de atendimento dando o máximo de atenção ao tempo que o paciente fica dentro do Pronto-Socorro. O impacto do paciente verde na porta é muito grande. Estou em contato direto, inclusive, com o diretor de Atenção Primária para podermos aumentar os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde e reduzir o impacto no PS, pois muitos casos são de pacientes assintomáticos e não tem por que vir até o pronto-socorro.

 

Como estão os atendimentos pediátricos?

 

Hoje, no PS pediátrico, continuamos atendendo somente casos de Covid-19. Porém, é um atendimento mais restrito e não tem um impacto tão grande na porta.

 

Como será o retorno às atividades?

 

Gradualmente o retorno das cirurgias eletivas. Nós estamos estruturando os leitos de UTI e clínica cirúrgica. Vamos ampliar nossa capacidade de atendimento na UTI reabrindo esses dez leitos que estavam fechados e, agora, atuaremos com a capacidade máxima.

 

Como você avalia o Hran com relação ao enfrentamento da Covid-19?

 

Acredito que foi uma referência pela qualidade do hospital e dos seus profissionais. Além disso, o Hran é estrategicamente fantástico. Tanto é que iriam fazer algumas mudanças agora, mas, eu pedi para a Secretaria de Saúde manter esse cenário por conta da expertise dos servidores e do treinamento adequado que têm os profissionais. Isso é muito importante porque diminui a letalidade e a mortalidade dos pacientes. Então, é uma coisa que funciona muito bem porque as pessoas já estão treinadas e habituadas com o manejo de pacientes graves.

 

Como está montada sua equipe no Hran?

 

Eu trouxe uma parte da minha equipe para trabalhar na Região Central, mas mantive alguns serviços, como gerências de Enfermagem e Supervisão de Enfermagem. Este é um trabalho permanente, e precisamos que ele tenha continuidade. Mantive algumas gerências, como da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e não quis mudar muito porque são profissionais que já estão capacitados e habituados com a rotina do hospital. Como fiz residência aqui, e já passei por gestões anteriores, conheço muitos profissionais que ocupam esses cargos e os desenvolvem com excelência.

 

*A Região de Saúde Central é formada pelas regiões administrativas das asas Sul e Norte, lagos Sul e Norte, Varjão, Cruzeiro, Sudoeste/Octogonal, Noroeste e vilas Planalto e Telebrasília.