Governo do Distrito Federal
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27/08/20 às 14h42 - Atualizado em 16/02/21 às 11h21

Tuberculose está entre as dez maiores causas de mortes no mundo

Tosse por mais de três semanas pode denunciar a doença. UBSs têm vacina para prevenção

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

A pandemia pela Covid-19 mostra uma corrida pela vacina e ainda a busca pelo melhor tratamento para debelar o vírus. No entanto, doenças como a tuberculose que possuem vacina e tratamento continuam a preocupar diversos países e o Brasil, que registra 200 novos casos da doença por dia, segundo o Ministério da Saúde. No panorama mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose está entre as dez maiores causas de morte no mundo, atingindo 10 milhões de casos por ano e mais de 1,5 milhão de óbitos.

 

No Distrito Federal, dados preliminares de 2019 mostram 359 casos novos da doença e 75% deles são de tuberculose pulmonar (com tosse na forma seca ou produtiva) e 65% estão na faixa etária de 11 a 64 anos. Já os óbitos, no último boletim de 2018, são 23 mortes pela doença com 60% também entre a mesma faixa etária dos novos casos. Apesar das mortes, os números considerados baixos devem-se à cobertura vacinal e à vigilância quanto ao tratamento e sua continuidade.

 

Apesar de ter cura, é justamente o abandono do tratamento o principal motivo para a tuberculose ainda causar mortes no país.

 

A Vigilância Epidemiológica atua no levantamento e acompanhamento dos casos, bem como na cobertura vacinal. O DF está abaixo da meta preconizada de cobertura da vacina BCG. A Secretaria de Saúde alerta a população para a atualização do cartão vacinal de crianças que ainda não receberam a dose. Seguindo o Plano de Imunização para a população do DF e no trabalho contínuo de enfrentamento da doença, a rede pública irá oferecer as doses nas maternidades públicas. Algumas unidades, como o Hospital Regional de Samambaia, Hospital Regional do Gama e Casa de Parto, já disponibilizam a vacina nas maternidades.

 

Tosse seca ou produtiva é um dos sintomas da tuberculose – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Cássio Peterka, diretor de Vigilância à Saúde, destaca que é um compromisso constante da pasta o enfrentamento contra as doenças contagiosas e que podem ser prevenidas com a vacinação. A tuberculose é uma doença grave, mas pode ser prevenida e tratada. No entanto, a parte sensível deve-se ao cumprimento do tratamento que dura, em média, seis meses e o abandono leva a uma piora e óbito.

 

“Nosso principal objetivo é reduzir o número de casos e óbitos causados pela tuberculose. A Vigilância Epidemiológica é fundamental para conhecermos a magnitude, a distribuição e tendência e os fatores associados à tuberculose no território do DF. Com isso, podemos subsidiar as ações de controle da doença. Além disso, a integração da Vigilância e Atenção Primária à Saúde é muito importante para conseguirmos identificar casos novos e realizar o tratamento completo, para curar as pessoas”, explica.

 

Vulnerabilidade

 

Além dos fatores relacionados ao sistema imunológico de cada pessoa e à exposição ao bacilo (Koch), o adoecimento por tuberculose, muitas vezes, está ligado às condições precárias de vida. Assim, alguns grupos populacionais podem apresentar situações de maior vulnerabilidade. De acordo com o MS, pessoas em situação de rua estão expostas 56 vezes mais. Já aquelas  privadas de liberdade estão 28 vezes mais propensas a pegar a doença.

 

Tuberculose e Covid-19

 

Assim como a Covid-19, a tuberculose propaga-se pelo ar e ataca os pulmões. A tosse por mais de três semanas pode ser o indicativo da doença. Sudorese noturna e febre também costumam aparecer. As bactérias que causam a tuberculose são espalhadas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. A doença pode agravar o quadro em paciente que pega a Covid-19. Veja as orientações de apoio à pessoa com tuberculose durante a pandemia.

 

BCG e Cobertura no DF

 

A vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin), ofertada no Sistema Único de Saúde (SUS), protege a criança das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a tuberculose meníngea. Essa vacina deve ser aplicada nas crianças ao nascer, ou, no máximo, até os quatro anos, 11 meses e 29 dias.

 

A cobertura vacinal acumulada da vacina BCG até abril de 2020 estava em 72% e no mesmo período de 2019, essa porcentagem já era de 98,6%, sendo que a meta é de 90%. Observa-se que a cobertura está baixa nesse primeiro quadrimestre de 2020, menor que a cobertura vacinal para o mesmo período de 2019. A área técnica acredita que pode ser reflexo da pandemia do novo coronavírus e, por isso, reforça o chamamento às mamães que precisam vacinar seus filhos ainda.

 

Cuidados e Prevenção

 

A vacina é a principal estratégia para evitar as piores formas da doença. É causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. O bacilo é sensível à luz solar, e a circulação de ar possibilita a dispersão das partículas infectantes. Por isso, ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de transmissão.

 

A identificação precoce do caso suspeito e o tratamento adequado do caso que ajudam a diminuir gradativamente a transmissão e, após 15 dias, os níveis de contaminação são praticamente insignificantes.

 

As pessoas que convivem com doentes também estão expostas ao vírus e são examinadas. Caso não mantenham os cuidados adequados no tempo de transmissão, a intensidade de exposição do indivíduo sadio com uma pessoa infectada pode favorecer a contaminação. Idosos, bebês e indivíduos imunossuprimidos são grupos de risco para a tuberculose pulmonar.

 

Como é transmitida por via aérea, as pessoas precisam manter a etiqueta respiratória, ou seja, ao tossir e espirrar evitar levar as mãos à boca e colocar o antebraço para impedir que os aerossóis oriundo desse ato espalhem-se pelo ar.

 

A tuberculose é uma das principais doenças oportunistas e a pessoa pode carregá-la por anos sem manifestar. Se a pessoa infectada estiver com um bom sistema imunológico, a bactéria provavelmente não causará a doença e nem a transmitirá, permanecendo em estado latente dentro do organismo. O que não representa risco. No entanto, se, em algum momento da vida, a resistência da pessoa baixar por algum motivo, o bacilo poderá entrar em atividade e vir a causar os sinais e sintomas típicos da enfermidade.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO