Governo do Distrito Federal
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30/10/18 às 17h49 - Atualizado em 31/10/18 às 12h27

Unidade de Queimados transforma sofrimento em superação

Servidores e pacientes se reuniram para comemorar os 30 anos da UTQ – Foto: Mariana Raphael

 

A Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) completou, recentemente, 30 anos de atividades. Classificado como um serviço de excelência, cerca de 250 a 300 pessoas são internadas por ano na unidade. E, todos os dias, são realizados de 10 a 15 atendimentos no pronto-socorro. No ambulatório, que funciona com agenda aberta das 8h às 18h, mais de 1,2 mil pacientes são atendidos por mês.

 

O trabalho da Unidade de Queimados começou em 7 de julho de 1988, quando um grupo de servidores definiu a instituição do serviço com o objetivo de oferecer tratamento especializado e diminuir o sofrimento das vítimas de queimaduras.

 

“Quando o setor de queimados foi criado, o atendimento era feito num espaço reduzido. Havia uma sala e uma área de internação no térreo, onde, hoje, funciona a pediatria. Há uns 10 anos, quando o terceiro andar foi liberado por outra especialidade, a unidade foi ampliada”, lembra o chefe da Unidade de Queimados, o cirurgião plástico José Adorno.

 

CELEBRAÇÃO – Durante as comemorações dos 30 anos, celebrado na quinta-feira (25), servidores, profissionais de saúde e pacientes se reuniram para lembrar as três décadas do atendimento especializado em queimaduras, que se tornou referência nacional.

 

Momentos tocantes não faltaram na retrospectiva da unidade. Servidores que marcaram presença no local, como o médico Mário Frattini, à frente da UTQ por 22 anos, foram aplaudidos de pé. “Tenho orgulho de fazer parte da história dessa unidade”, disse, com a voz embargada.

 

Ao longo do evento, placas comemorativas foram entregues aos servidores pioneiros da UTQ que se dedicaram por anos à unidade. Depois, um vídeo mostrou os vários momentos do setor e as muitas pessoas que passaram por ali, de profissionais a pacientes recuperados. A ocasião comovente rendeu lágrimas e mais aplausos.

 

O ex-chefe da UTQ, Mário Frattini, recebeu uma placa do atual diretor da unidade, José Adorno

 

EXCELÊNCIA – Visivelmente emocionado, o chefe da Unidade de Queimados, o cirurgião plástico José Adorno, destacou o trabalho de excelência da equipe profissional da UTQ. “O recurso humano é fundamental, e na unidade, o grande diferencial é a equipe. Não se faz saúde de excelência sem excelentes profissionais”, elogiou.

 

Os pacientes que passaram pelo local fizeram questão de parabenizar os profissionais do setor. Para o analista de sistemas Max Lessa, e seu filho, Yuri Lessa, de 15 anos, que teve parte do seu corpo queimado aos sete anos, o trabalho da equipe da UTQ merece reconhecimento.

 

“São pessoas maravilhosas. O apoio que dão ao ser humano, como um todo, é essencial. Nesse tempo, acabamos criando um laço familiar com eles”, disse Max. “A equipe é maravilhosa e minha recuperação foi ótima, graças a eles”, lembra Yuri.

 

Yuri Lessa foi um dos ex-pacientes que agradeceram aos profissionais da UTQ pelo atendimento

 

EVOLUÇÃO – Nos anos que se seguiram à sua criação, a Unidade de Queimados registrou um crescimento constante. Iniciou-se a realização de curativos com sedação, durante os procedimentos; e o uso de medicamentos e de técnicas novas, como as coberturas especiais de longa duração, que não precisam ser trocadas diariamente.

 

No espaço atual, há 16 leitos. Antes, eram 12. Também há salas de banho e de curativo, além do centro cirúrgico. Ao longo do tempo, foi instituído o protocolo de fisioterapia para a fase aguda. O setor também atende pacientes semi-intensivo, que necessitam de equipamentos, como o respirador para ventilação.

 

“Agora, as cirurgias são feitas de forma mais célere, com uso de técnicas novas. Antes, o tempo médio de espera era de 50 dias. Hoje, apenas 17”, comparou José Adorno.

 

Atualmente, o trabalho é interdisciplinar, ou seja, as condutas são discutidas entre os diversos profissionais. São eles: psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, clínicos, cirurgiões – plásticos e anestesistas –, terapeutas ocupacionais, infectologistas, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos.

 

Os pacientes recebem a contribuição da Associação de Intervenção e Prevenção a Queimaduras (Avance), que produz itens de malha compressiva sob medida.

 

CATÁSTROFE – Para o chefe da unidade, um dos eventos que marcou a vocação da unidade para o atendimento de queimados foi a chegada de mais de 70 pacientes, vítimas de uma colisão entre um caminhão e uma caçamba no cruzamento Ayrton Sena.

 

“Eu era residente da cirurgia-geral. Estava de plantão no dia e ajudei no socorro, assim como diversos profissionais que estavam em outros hospitais e até em casa, mas vieram em razão da tragédia. Foi um grande desafio para uma equipe recém-criada”, lembra.

 

Leandro Cipriano e Ailane Silva, da Agência Saúde
Fotos: Mariana Raphael