Profissionais de saúde debatem prevenção a infecções hospitalares
Profissionais de saúde debatem prevenção a infecções hospitalares
Evento buscou fornecer orientações, discutir protocolos e promover a troca de experiências
Yuri Freitas, da Agência Saúde DF | Edição: Fabyanne Nabofarzan
Profissionais de saúde atuantes nas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) de hospitais públicos, privados e militares do Distrito Federal se reuniram para debater medidas de prevenção a surtos infecciosos nas unidades. O encontro, realizado na última sexta-feira (19), teve o intuito de fornecer orientações, discutir protocolos e promover a troca de experiências na temática de prevenção e manejo de infecções.
A capacitação foi uma iniciativa da Gerência de Risco em Serviços de Saúde (GRSS) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Uma das palestrantes do dia, a enfermeira e especialista da GRSS Rafaella Bizzo detalhou o Sistema Nacional de Vigilância e Monitoramento de Surtos Infecciosos em Serviços de Saúde (Sinaviss) aos agentes. “O objetivo da capacitação é fornecer instruções para que os profissionais das Comissões consigam internamente promover medidas de prevenção e controle das infecções, de modo a promover melhorias de qualidade dentro do serviço.”
Outra especialista a se apresentar no encontro, a farmacêutica do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), Amabel Fernandes, ressalta a importância de o poder público coordenar ações em prol da identificação imediata de possíveis epidemias. “Esses surtos precisam ser investigados, porque acometem, principalmente, pacientes com vulnerabilidade. É preciso ter uma capacidade de resposta rápida e oportuna para impedir a disseminação de patógenos e, desse modo, salvar vidas.”
Estudo de caso
O encontro ainda contou com estudo de caso sobre uma infecção de sítio cirúrgico por um fungo do gênero Trichosporon. O médico infectologista do Hospital de Base (HBDF) e do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) Tazio Vanni adverte que o uso indiscriminado e sem orientação médica de antibióticos pode acarretar efeitos nocivos à saúde, individual e coletivamente. “Vivemos, hoje, a chamada ‘era pós-antibiótica’, em que as bactérias se mostram bastante resistentes à medicação. No entanto, a natureza não deixa hiato: quando eliminamos as bactérias com antibióticos mais fortes, os fungos aproveitam.”
Esse fenômeno, continua Vanni, favorece o aparecimento de fungos de difícil tratamento. “Nesse estudo de caso houve o surto de um fungo raro e resistente em um grande hospital. Um dos pacientes havia sido submetido à cirurgia cardíaca, situação já grave por si só. Com uma infecção dessas, torna-se ainda mais alta a chance de morte”, concluiu.