Governo do Distrito Federal
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13/02/14 às 19h22 - Atualizado em 30/10/18 às 15h10

Ação da Saúde contra Hanseníase no i-Catador na Estrutural

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Objetivo é identificar precocemente casos da doença e sensibilizar 

O i-Catador na Estrutural recebeu, nesta quinta-feira (13), a equipe da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) para atendimento em diversas áreas, principalmente, na prevenção da Hanseníase. O evento foi alusivo ao Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hanseníase, comemorado em 30 de janeiro e teve como objetivo identificar precocemente casos da doença e sensibilizar a população sobre os cuidados com a saúde.

A ação pontual foi com os catadores de lixo que tiveram a oportunidade de realizar exames (testes rápidos), aferir pressão, medir a glicemia e realizar consulta médica. Além disso, foram disponibilizados medicamentos para os pacientes já avaliados pelos médicos. Os remédios foram fornecidos pela SES/DF, Sociedade Brasileira de Dermatologia e Laboratórios. A diretora de Vigilância Epidemiológica, Lígia Paixão, afirmou que a visão estratégica foi de captar essa população que tem dificuldade de se deslocar para uma unidade de saúde.

“Precisamos prevenir a comunidade sobre a doença e evitar a disseminação. Não há alarde quanto a casos, visamos à detecção e à prevenção. Esse público merece nossos cuidados, pois a Hanseníase passa de pessoa para pessoa em indivíduos que vivem agrupados. Além disso, queremos esclarecer dúvidas sobre a doença, por ainda existirem muitos preconceitos”, declarou.

No local, foram disponibilizados dois consultórios, um para atendimentos gerais e outro específico de dermatologia, farmácia, orientação e testes rápidos para DST/AIDS. De acordo com a médica Diva Souza, o evento é uma oportunidade de trazer a saúde para perto do cidadão com chance do paciente efetivamente realizar o acompanhamento médico.

“Hoje detectamos um câncer de pele já com encaminhamento para cirurgia e caso de hanseníase. São 15 servidores trabalhando para sensibilizar e diagnosticar problemas dermatológicos. Viabilizamos desde o atendimento no consultório até o medicamento que o paciente necessita. Não adianta ele ter um diagnóstico e não ter um encaminhamento”, afirmou.

Cerca de 30 profissionais da SES/DF participaram da ação e na oportunidade, 15 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e fisioterapeuta) da SES/DF, de Formosa e do programa Mais Médicos participaram de treinamento em serviço com o médico Alexandre Ricciard, do consultório de referência do Hospital Dia. Foram profissionais que trabalham diretamente com a Atenção Primária, Atenção Prisional e atendimentos de referência em Dermatologia.

Catadora no lixão há 10 anos, Olbaníria Martins foi encaminhada para fazer uma biópsia e acompanhamento no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). “É a primeira vez que eu participo de uma ação assim. Não realizo o acompanhamento no centro de saúde e foi muito bom receber esse atendimento aqui. Sempre adiava a ida ao médico. Agora, eu já estou com todos os encaminhamentos, porque estou com suspeita de câncer de pele”, afirmou.

O evento foi uma iniciativa do Núcleo de Dermatologia Sanitária (NDS) em parceria com a Gerência de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável (GASPV), Casa Civil, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (SEDEST). Contou ainda com a participação da Secretaria da Mulher com informações sobre a Lei Maria da Penha e sensibilização de não violência contra a mulher.

Presentes no evento a secretária da Mulher, Olgamir Amâncio, e o secretário da SEDEST, Daniel Sedeilm, foram conferir de perto o mutirão. Ambos realizam diversos trabalhos de inclusão dessa população como a Fábrica Social, alfabetização de adultos e conscientização por meio de discussão com as mulheres sobre os seus direitos, como a Lei Maria da Penha.

Sedeilm afirma ser essencial o trabalho de parceria nesse processo de fechamento do lixão. “Essa integração é importante porque a ação da Saúde revitaliza a autoestima de cada pessoa, diagnostica e dá o encaminhamento para esse público que sempre ficou no final da fila. Os catadores, como trabalhador, ainda estão no processo de desproteção social das suas demandas. O I-catador é esse espaço para que cada secretaria venha fazer a sua oferta”, afirmou.

Para Amâncio, a presença da Secretaria da Mulher, vem ratificar o trabalho de parceria e trazer informações quanto às necessidades dessa população. “Esse tipo de ação só acontece efetivamente com a articulação das políticas públicas. Muitas mulheres aqui são provedoras da família. Conversando com a representante das mulheres com hanseníase, muitas sofrem violência achando que é por causa da doença, o que não é verdade. Estamos aqui para trabalhar essa situação. É preciso que ela compreenda que a violência doméstica não tem a ver com a saúde da mulher, porém, muitas ainda pensam assim”, declarou.

O programa de Controle da Hanseníase no DF está descentralizado na rede da SES/DF. Presente na grande maioria dos Centros de Saúde e em alguns hospitais, nas salas de hanseníase um total de 204 pessoas receberam diagnóstico em 2013. Desses, 146 são residentes em Brasília e 58 em outros estados.

Por Érika Bragança, da Agência Saúde DF
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