Governo do Distrito Federal
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27/08/18 às 12h52 - Atualizado em 27/08/18 às 12h52

Acolhimento e Classificação de Risco

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Frente à necessidade de reorganização das portas de entrada das unidades de urgência e emergência da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito federal e para enfrentamento da “superlotação” foi priorizada a implantação dos dispositivos de Acolhimento e Classificação de Risco ferramentas de gestão da atenção da Política Nacional de Humanização/Ministério da Saúde, (PNH/MS).

O acolhimento é uma diretriz política e operacional do SUS. É postura ética, uma atitude em relação à garantia de acesso aos serviços de saúde, à qualidade e integralidade da atenção. Traduz-se em recepção do usuário nos serviços de saúde, desde a sua chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas preocupações. Implica prestar um atendimento com resolutividade e responsabilização, orientando o paciente e a família, garantindo a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário. (MS/PNH, 2006).

A Classificação de Risco (CR) é um dispositivo técnico-assistencial que permite concretizar o princípio da equidade, pois possibilita a identificação das prioridades para atendimento, ou seja, atender segundo a necessidade de saúde/ gravidade/ risco ou vulnerabilidade de cada usuário.

Avaliar riscos e vulnerabilidade implica estar atento tanto ao grau de sofrimento físico quanto psíquico, pois muitas vezes o usuário que chega andando, sem sinais visíveis de problemas físicos, mas muito angustiado, pode ser o de maior necessidade de atendimento e com maior grau de risco e vulnerabilidade.

A CR não se constitui em triagem, pois não é um método de exclusão, e sim de classificação de risco onde através da utilização de protocolo institucional pré-estabelecido permite a priorização do atendimento médico segundo queixa, determinantes e sintomas. O que inverte a lógica do atendimento por ordem de chegada independente do estado de saúde do usuário. Assim, por exemplo, aquele usuário que adentra ao serviço de emergência com sinais e sintomas detectados pelo ACR, que indicam a possibilidade de um infarto é prioridade de atendimento médico, independente da sua hora de chegada, em detrimento de outro usuário sem determinantes de gravidade.

O ACR permite refletir e mudar os modos de operar a assistência, pois questiona a clínica no trabalho em saúde, os modelos de atenção e gestão e o acesso aos serviços.

A portaria 2.048, de 5 de novembro de 2002, do Ministério da Saúde, coloca que o ACCR “… deve ser realizado por profissional de saúde de nível superior, mediante treinamento específico e utilização de protocolos pré-estabelecidos e tem por objetivo avaliar o grau de urgência das queixas dos pacientes colocando-os em ordem de prioridade para atendimento. A classificação de risco deve ser um processo dinâmico de identificação dos usuários que necessitam de tratamento imediato, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento.” Na Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal a classificação de risco é realizada pelo profissional enfermeiro. O protocolo de classificação de risco hoje utilizado é o de Campinas-SP, com algumas modificações referentes a situações epidemiológicas locais, este protocolo foi discutido, pactuado e institucionalizado em todas as regionais de saúde. Ressaltamos que, a partir do mês de abril haverá um Grupo de Trabalho discutindo e elaborado o Protocolo de Classificação de Risco de Brasília.

A estratégia de implantação da sistemática do ACR na rede de saúde do DF possibilita abrir processos de reflexão e aprendizado institucional de modo às re-significar as práticas assistenciais e construir novos sentidos e valores, avançando em ações humanizadas e compartilhadas, pois a produção de saúde é, necessariamente, um trabalho coletivo e cooperativo, entre sujeitos. Possibilita a ampliação da resolutividade ao incorporar critérios de avaliação de riscos, que levam em conta toda a complexidade dos fenômenos saúde/doença, o grau de sofrimento dos usuários e seus familiares, a priorização da atenção no tempo, diminuindo o número de mortes evitáveis, seqüelas e internações.


Objetivos do Acolhimento e Classificação de Risco:

  • Avaliar o paciente logo na sua chegada, identificando prontamente urgências e emergências – condições de risco de vida;
  • Classificar, mediante protocolo, as queixas dos usuários que demandam os serviços de urgência/emergência dos hospitais, visando identificar os que necessitam de atendimento médico mediato ou imediato, diminuindo assim o risco de morte evitável;
  • Determinar prioridade para atendimento médico, hierarquizado-o conforme a gravidade: quem deve ser atendido antes e quem pode aguardar atendimento com segurança;
  • Organizar processo de trabalho e espaço físico (ambiência) do Setor de Emergência;
  • Diminuir a ocorrência de superlotação;
  • Informar a pacientes e familiares a expectativa de atendimento e tempo de espera;
  • Esclarecer à comunidade a forma de atendimento de urgências e emergências;
  • Fomentar a rede de atenção de saúde, articulando os diversos setores de atenção a saúde.