Governo do Distrito Federal
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19/09/16 às 11h40 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Adolescentro chega a maioridade com trabalho reconhecido

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Adolescentes e familiares encontram no local apoio para refazer a vida

BRASÍLIA (19/09/16) – A maioridade do Centro de Referência, Pesquisa, Capacitação e Atenção no Adolescente em Família (Adolescentro), que completa 18 anos este mês, é motivo de comemoração. Unidade especializada da Secretaria de Saúde do DF, é reconhecida como referência na atenção à clientela de 10 a 18 anos com transtornos mentais, de aprendizagem e vítimas de violência sexual e dos seus familiares ou responsáveis.

“Realizamos cerca de 3.500 atendimentos mensalmente, com acolhimento aberto. Todos os que procuram nossos serviços são recebidos sem a necessidade de marcação de horário, por isso, priorizamos as terapias de grupo, para ampliar o alcance da nossa atenção”, explica médica pediatra Ana Paula Oliveira R. Toyama, gerente do Adolescentro.

A equipe de trabalho é integrada por profissionais especializados no atendimento à adolescência, com formação nas áreas de pediatria, psiquiatria, psicologia, odontologia, enfermagem, farmácia, assistência social, nutrição e ginecologia, entre outras. Um atendimento multiprofissional que explica em parte os bons resultados obtidos, mas que é melhor definido pelo testemunho dos adolescentes e familiares que buscam apoio no local.

VIOLÊNCIA E SUPERAÇÃO – As primeiras sessões de terapia em grupo que B.M.D.C. participou no Adolescentro foram traumáticas para ela. À época com 17anos, a menina não queria expor as feridas ainda doloridas – nas lembranças do corpo e da mente – provocadas por um estupro ocorrido dentro de um ônibus de transporte coletivo, quando seguia a caminho da escola.

Não queria compartilhar uma dor que imaginava ser somente sua e dos seus familiares, de um pai cuidadoso que a deixara na parada de ônibus até o momento da sua entrada no veículo, onde imaginava que a filha se encontrava em ambiente seguro e da mãe que, inconformada com a agressão, passara a dormir somente sob o efeito de calmantes.

“No começo foi muito difícil. Eu não queria ficar lembrando do que aconteceu o tempo todo, falando dos meus problemas para outras pessoas. Não conseguia sentir ódio, como ouvi de alguns participantes do grupo de terapia, eu só queria esquecer…”, relembra B.M.D.C com as lágrimas prestes a transbordar dos olhos”.

“Mas falar sobre o problema, dividir a dor com outras pessoas que passaram por situações até piores do que a sua, faz parte da busca pela cura”, pondera o pai, Raimundo J.C., que frequenta o Adolescentro com a esposa para as sessões de terapia em grupo e de casal, e hoje afirma ter superado o problema da agressão sexual com a filha em “99 por cento”.

A recuperação de B.M.D.C, na sua própria visão, não alcançou o grau de superação descrito pelo pai, mas ela relata estar cada vez melhor e hoje já sente falta das sessões no Adolescentro, “ao contrário do início, quando cheguei a rasgar o cartão de atendimento”. A recuperação é visível, demonstrada nos sorrisos que eventualmente afloram do seu rosto e, principalmente, nas vitórias alcançada na vida.

Ela não apenas conseguiu superar as frequentes faltas às aulas no então 3º ano do segundo grau, logo após a agressão sexual, como conseguiu passar no vestibular na Universidade de Brasília. “Aos poucos nossa vida vai voltando ao normal”, diz Raimundo J.C., que não esconde o reconhecimento à qualidade dos serviços oferecidos no Adolescentro. “Tem muitos pais que estão sofrendo com problemas parecidos com o que passamos e não conhecem o excelente trabalho feito aqui – foi uma luz no nosso caminho difícil”, conclui.

REINTEGRAÇÃO SOCIAL – O temperamento excessivamente tímido acabou por provocar na adolescente M.G.S, de 15 anos, transtornos que lhe impuseram uma série de restrições sociais. Talvez pelo próprio comportamento arredio, foi vítima de bulling na escola, o que agravou ainda mais o seu quadro psíquico, levando à automutilação, insônia, reclusão e um grave processo depressivo.

Cada vez mais preocupada com a situação emocional da filha, Renata G.M. iniciou uma peregrinação em busca de tratamento para a menina. “Procuramos atendimento psicológico em vários órgãos e não conseguimos. Mas, felizmente, numa consulta em um centro de saúde, fomos encaminhadas ao Adolescentro, onde tudo começou a mudar”.

A terapia de grupo e o atendimento individual com médico psiquiatra e psicólogo, logo apresentaram resultados positivos. Após oito meses a situação parecia tão favorável que Renata decidiu interromper o tratamento da filha. Mas o quadro recrudesceu e M.G.S. voltou a apresentar transtornos, se isolando no quarto, com frequentes crises de pânico. “Foi o meu erro, tudo piorou, mas retornamos ao tratamento e, três meses depois, ela está muito bem”.

A opinião é compartilhada pela filha. “Eu me socializei e parei totalmente com a automutilação. Com a medicação, o trabalho em grupo e o acompanhamento psicológico já me sinto muito melhor. Na rua, todo mundo julga a gente, mas aqui no Adolescentro ninguém julga ninguém, todos nos ajudamos”, reflete. Para a sua mãe, essa ajuda é essencial para todos os adolescentes que frequentam a unidade. “Se não fosse esse trabalho, não sei o que seria da minha família e de todas as outras que se tratam aqui”, resume

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