Governo do Distrito Federal
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8/02/18 às 19h55 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Blocos da saúde mental arrastam 500 foliões em Taguatinga

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Mesmo com a chuva, sobrou animação no desfile no centro da cidade

BRASÍLIA (8/2/2018) – Nem a chuva foi o bastante para diminuir toda a animação do Amai-vos uns aos loucos, coletivo de blocos carnavalescos formados por pacientes e profissionais das unidades de saúde mental do DF que desfilou, nesta quinta-feira (8), no centro de Taguatinga.

Ao som das marchinhas “e pra saúde mental, o doutor receitou o carnaval” e “a rua não é para poucos, amai-vos uns aos loucos”, mais de 500 foliões distribuíam alegria por onde passavam. Confetes, música, sorrisos e muita irreverência marcaram o percurso da Praça do Relógio até a nova sede do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) 2, na QNA 39.

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Os bloquinhos Tan Tanta Alegria, Napoleão e seus Bonapartes, Divertida Mente, Redução de Danos, Bloco do Rivotril e Haldo Raveis – trocadilho com o fármaco haloperidol, utilizado para controle da agitação, agressividade, entre outras condições, puxaram a marcha em meio à chuva torrencial e o trânsito pesado do horário de pico.

Durante a folia, a paciente do Caps 2 de Taguatinga, Aparecida Ribeiro, de 51 anos, era umas das que mais comemorava. Para ela, que há dois anos está em tratamento por transtorno bipolar, a festa é uma oportunidade de interação. “Fiquei um bom tempo sem conversar com outras pessoas. Essa animação descontrai, e me ajuda muito na socialização”, comentou.

Segundo o gerente do Caps 2 de Taguatinga, e porta-estandarte do bloquinho Haldo Raveis, Gustavo Murici Nepomuceno, a ideia do evento é justamente promover oportunidades para os pacientes que sofrem de transtorno mental se sentirem pertencentes a sociedade. “A festa no final é uma ação terapêutica. Ajuda até mesmo a estimular a criatividade, já que alguns pacientes fizeram sua própria fantasia.”

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Um deles foi Valmir Freire, de 47 anos. Fantasiado de Hulk, o paciente com transtorno bipolar aproveitou a folia para fazer amizades e curtir o carnaval, coisa que não fazia há muito tempo. “É muito bom estar aqui me divertindo. Desde a minha adolescência não faço algo parecido”, relatou.

Para a psicóloga Mariana Tavares, chefe do Núcleo de Atividades Terapêuticas do Hospital São Vicente de Paulo e responsável por Valmir no evento, momentos como esse são importantes, pois os pacientes não se sentem excluídos socialmente. “Além deles, também é importante para as demais pessoas, porque quebra esse estigma que um paciente com transtorno é perigoso. Eles são sensíveis e, como todos nós, precisam de atenção e momentos felizes.”

Em sua segunda edição, a folia é uma iniciativa do Hospital São Vicente de Paulo, em parceria com os Caps 2, de Taguatinga, e 3, de Samambaia, os centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil da Asa Norte e de Taguatinga, além do suporte de clínicas particulares.

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