Governo do Distrito Federal
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11/10/16 às 13h10 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

CAPs III de Samambaia terá atendimento 24h para transtorno mental

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A unidade será a primeira do DF a fazer acolhimento noturno

BRASÍLIA (10/10/16) – Desde o início, o Centro de Atendimento Psicossocial III (CAPs) de Samambaia Sul passou a oferecer atendimento 24h à população da Região Sudoeste de Saúde. A unidade é a pioneira no Distrito Federal na prestação de serviço ininterrupto às pessoas que tenham transtorno mental grave e persistente.

Inaugurado em 2010, o CAPs III de Samambaia também é o primeiro a ser construído com estrutura voltada a este tipo de atendimento. A psicóloga e gerente da unidade, Jouse Queiroz, explica que a mudança era muito aguardada por todos e que aconteceu na época ideal, as vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental comemorado no dia 10 de outubro.

“Antes, caso precisasse, o paciente não tinha o acompanhamento noturno e integral. Agora, com o CAPS funcionando 24h, isso proporcionará atenção integral aos usuários e evitará internação psiquiátrica. Além disso, esse adicional de serviço representa mais um recurso terapêutico para o acompanhamento de pessoas portadoras de transtorno mental e permite a atenção contínua desse usuário”, esclarece Jouse.

CAPs – As unidades funcionam com uma equipe multiprofissional composta de 49 servidores, entre eles psicólogo, psiquiatra, terapeuta ocupacional, assistente social, enfermeiro, técnico de enfermagem e auxiliar administrativo. Além destes, há também o trabalho feito por voluntários da comunidade e estagiários de instituições de ensino público e particular.

Em média, são realizados cerca de 1.500 a 1.600 atendimentos mensais. O CAPs disponibiliza 34 grupos terapêuticos como grupos de convivência, expressão corporal, fala, metas, família e oficinas de geração de renda e trabalhos manuais.

ACOLHIMENTO – O antenista Jonas Abreu Júnior, de 64 anos, convive há 20 anos com uma disfunção mental. Ele conta que, desde a descoberta da doença, os tratamentos que realizou sempre foram feitos somente com psiquiatras que indicavam o uso de medicação ou internação psiquiátrica. Há três meses, foi encaminhado por um clínico para o CAPs, onde faz tratamento três vezes na semana.

“Confesso que no início fiquei com um pouco de dúvidas sobre como era o funcionamento, mas depois que passei a conviver com os profissionais, passei a sentir falta quando não é o dia de visita. Todos daqui atendem muito bem e me senti como filho dessa grande família”, relembra.

Ele diz que o tratamento oferecido na unidade é completamente diferente dos que são feitos em hospitais psiquiátricos. “Cada paciente é tratado de forma única, de maneira humanizada e é, justamente, o que eu e as pessoas que têm esse tipo de doença precisam receber. Nós precisamos ser compreendidos, pois é o que mais sentimos falta. Quando somente o psicológico é tratado, é como se toda a complexidade de cada ser humano fosse deixada de lado”.

Ele ressalta que a reclusão social é uma das características da doença que possui e que, no CAPs, viu que é possível conviver e se relacionar com outras pessoas normalmente.

SERVIÇOS – Abrangida pela Saúde Mental, a atenção psicossocial da rede pública do DF aumentou a produção em 60% somente no primeiro quadrimestre de 2016. Em relação ao mesmo período de 2015, a quantidade era de 10.648, enquanto que neste ano está em 16.377.

Ao todo, existem 17 Centros de Atendimento Psicossocial na capital. As unidades oferecem atendimento, assistência e acompanhamento terapêutico com equipe multiprofissional para tratar de problemas como uso abusivo de álcool e outras drogas e transtornos mentais leves, graves e persistentes. Dentre eles, há os que atendem, exclusivamente, o público adulto e outros voltados para crianças e adolescentes.

A secretaria também disponibiliza uma Unidade de Acolhimento em Samambaia que proporciona amparo às pessoas em situação de vulnerabilidade social com uso de álcool e outras drogas.

Além destas unidades, a SES também oferece o serviço tradicional, que é o modelo que já existia anteriormente à Política Nacional de Saúde Mental, com internação psiquiátrica nos casos necessários.

Esses locais são o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Instituto de Saúde Mental (ISM), Centro de Orientação Médica Psicopedagógica, unidade de Psiquiatria no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e o Adolescentro que, atualmente, tem modificado a forma de atendimento com o intuito de se aproximar do modelo de CAPs.

A psiquiatra e diretora de Saúde Mental da SES-DF, Ana Luísa Lamounier, explica que o objetivo é que a rede pública do DF passe a oferecer atendimento multidisciplinar por profissionais de várias categorias em todas as unidades. “Desta forma, podemos abranger as famílias e ir atrás dos pacientes, buscando diretamente no território quais são as demandas desse local. Atualmente, este é o entendimento que se tem em todas as áreas de política de saúde pública, especialmente, na saúde mental”, completa.

Ela conta que a pasta também oferta atendimento no âmbito da Saúde Mental à população prisional e com tratamento direcionado às necessidades de cada caso.

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