Governo do Distrito Federal
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19/11/13 às 20h17 - Atualizado em 30/10/18 às 15h09

Centros Psicossociais oferecem tratamento para síndrome em idosos

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Atividades reestabelecem laços sociais

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são unidades de atendimento voltadas para a Saúde Metal que acolhem e atendem pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. O trabalho, realizado nas unidades, procura preservar e fortalecer os laços sociais do usuário em seu território. As demandas são espontâneas ou por meio de encaminhamentos da Rede Social – CRAS, Justiça e entidades filantrópicas.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças. No topo da lista estão a depressão e a ansiedade. Mas, as mais lembradas são a esquizofrenia e psicose.

Dentre muitos atendimentos realizados nas unidades, o CAPS tem recebido demandas de pacientes com Síndrome de Diógenes. A doença, conhecida popularmente como “Acumuladores”, é uma alteração comportamental que geralmente ocorre entre pessoas idosas. Segundo a psicóloga Girlene Pinheiro, gerente da unidade de Taguatinga, a síndrome traz um problema mais sério que é o comprometimento da saúde do paciente pelo ambiente em que vive.

“A doença se caracteriza pela aquisição ou coleta de objetos descartados como lixo, e a incapacidade de usá-los ou descartá-los. Não importando se os itens são inúteis, perigosos ou insalubres. A pessoa sempre acha que vai precisar daquilo. Como leva para casa gerando um grande acúmulo de lixo, diminui a sua mobilidade e interfere diretamente nas atividades básicas como limpar, cozinhar, tomar banho e dormir”, afirmou.

Outro aspecto da compulsão é a acumulação de animais. Nesse caso, o acumulador vai reunindo um número exagerado de animais de estimação, sem ter como abrigá-los e alimentá-los de forma adequada, ao mesmo tempo em que nega essa incapacidade, passando por protetor dos animais.

Só em Taguatinga, o centro está acompanhando doze casos, sendo dois em estado crítico. O acumulador compulsivo é popularmente chamado de “colecionador de lixo”. Os casos ganham notoriedade porque a população acaba denunciando já que, na maioria das vezes, o doente junta itens insalubres que produzem mau cheiro. Além disso, acaba por atrair insetos e roedores.

Para Pinheiro, é essencial um trabalho envolvendo os atores que fazem parte da vida do paciente que no momento mais crítico da doença, já se encontra em isolamento social. “A primeira barreira é criar o vínculo com ele. Se não, é impossível o desenvolvimento do trabalho. Muitos deles acabam sendo agressivos e não permitem a entrada em suas casas. Outro passo importante é envolver a família e os outros atores sociais, como os vizinhos, por exemplo. É um processo que demanda tempo e estratégia. Além das nossas visitas, nós tentamos atraí-los até o CAPS para as oficinas e trabalhos que realizamos lá”, declarou.

Hoje, Girlene estava acompanhado uma ação na casa de R.R.B, 76 anos. A Vigilância Ambiental do Guará ajudou no recolhimento e limpeza do local. A aproximação foi um trabalho de um mês e a psicóloga comemora. “O caso desse paciente é uma vitória porque em apenas um mês, eu consegui chegar até ele e já quebrar, em parte, a barreira da desconfiança. Ele já está me vendo aqui como uma amiga. É um trabalho cansativo, mas gratificante porque é a recuperação da dignidade dessa pessoa sem ter que internar. O nosso objetivo é reinserir socialmente esse paciente e fortalecer os laços familiares e comunitários sem tirar a pessoa da sua realidade”, assegurou.

Os transtornos mentais podem ser causados por vários fatores, entre eles a genética, a química cerebral (problemas hormonais ou uso de substâncias tóxicas que afetam o cérebro) e o estilo de vida são tidos como os principais. Traumas também estão associados. O tratamento não é fácil. Exige comprometimento e adesão. Em muitos casos para a vida toda.

Atualmente, a dificuldade em se ter dados concretos sobre a doença está na falta de uma nomenclatura específica. O colecionismo está atualmente classificado como sintoma que pode corresponder ao Transtorno de Personalidade Obsessivo Compulsivo. As pesquisas no Brasil e no mundo mostram que o TOC atinge entre 3% e 4% da população em geral.

Apesar de estratégico, o CAPS não é o único tipo de serviço de atenção em saúde mental e conta com uma rede de cuidados e parceiros. Estão incluídos nesta rede: a atenção básica, as residências terapêuticas, os ambulatórios, os centros de convivência, os clubes de lazer, entre outros.

Por Érika Bragança da Agência Saúde DF
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