Governo do Distrito Federal
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1/07/14 às 19h58 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Crianças abandonadas contam com atenção especial no HMIB

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Hospital atua em conjunto com a Vara da Infância

No Distrito Federal não são raros casos como o do bebê abandonado pela mãe no Guará, que foi encontrado na última terça-feira e levado para o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), onde é carinhosamente chamado de Samuel pela equipe. De acordo com especialistas do Núcleo de Apoio Terapêutico do HMIB, motivos que podem variar de transtornos mentais a problemas financeiros levam ao abandono de crianças, inclusive recém-nascidas.

Segundo a Assistente Social do HMIB, Valéria Costa, no imaginário coletivo a gestação é entendida como período especial e, quando um recém-nascido é abandonado, a mãe é imediatamente julgada e denominada como irresponsável. É nesse momento que o Núcleo de Apoio Terapêutico do HMIB atua para compreender cada caso. “Ao realizar uma escuta qualificada e avaliação de todo contexto sócio-econômico, condição de saúde geral e outras variáveis, são observadas questões muito mais complexas que podem estar relacionadas ao transtorno mental de moderado a severo, uso de substâncias psicoativas e questões relativamente simples como o local onde vai residir com o recém-nascido”, explica a assistente.

As psicólogas do Núcleo de Apoio Terapêutico do HMIB vão além ao se referir os casos observados no Centro Obstétrico. “Essas mulheres geralmente sofreram várias formas de abandono durante suas vidas. Isso permite entender que a entrega para adoção também representa uma forma de preservação da criança, mesmo que de maneira inconsciente. Preservação não só das privações financeiras, mas de toda vivência que essas mulheres não querem que seus filhos experimentem, podendo também ser visto como um ato de amor, ainda que ambivalente”, explicam as psicólogas, Alessandra Arrais e Gabriela Lopes.

Na avaliação das especialistas, por medo ou ignorância muitas mães ao invés dar a criação para adoção acabam por abandonar os filhos, o que complica algo que pode ser menos traumático para ambos. “As mães que nãos quiserem ou não puderem cuidar de seus filhos podem procurar a Vara de Infância ou os assistentes sociais nos hospitais”, relata a assistente social, Cristiane Pires Scarpeli.

O hospital, em conjunto com o Serviço Social, Núcleo de Apoio Terapêutico, Conselhos Tutelares e a Vara da Infância tenta reduzir a distância entre os que desejam um filho e as crianças que buscam uma família e esse processo muitas vezes inicia-se no próprio hospital. No HMIB, quando a mãe manifesta a vontade de entregar seu filho à adoção, o Serviço Social é acionado pela própria mãe ou pela equipe de saúde e o caso é acompanhado conjuntamente com a equipe de psicólogos. “A maternidade é um momento sensível para a mãe e muitas vezes esse desejo é momentâneo, pode passar após elas se envolverem com a amamentação e receberem o carinho dos familiares. Por isso, estamos atentos ao tempo necessário para cada mãe tomar essa decisão”, comenta Cristiane.

O trâmite inclui entrevistas e o preenchimento de formulário específico como declaração, porque há a possibilidade de alguém da família assumir a criação da criança ou a mãe desistir. O Serviço Social encaminha relatório médico e a solicitação da adoção à Vara da Infância que faz a última entrevista com a mãe e formaliza o processo. Assim, após a alta hospitalar a criança é recolhida e vai para um abrigo esperar pela concretização do processo de adoção.

Uma criança em situação de abandono não está automaticamente disponível para adoção. Esse bebê só poderá ser adotado se os pais tiverem desaparecido ou forem destituídos do poder familiar por um procedimento judicial.

Para a Coordenadora Geral de Saúde da Asa Sul, Roselle Bugarin Stenhouwer, o papel do hospital é oferecer escuta qualificada, acolhimento sem preconceito e, principalmente, orientação segura às mães que querem deixar o filho para a adoção. “Temos que ser a ponte que permite que a história do bebê possa ter um novo alvorecer, um novo caminho, cumprindo assim nossa missão social “, conclui Roselle.

Ana Luiza Greca, Agência Saúde DF

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