Governo do Distrito Federal
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26/10/17 às 19h43 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Crianças diabéticas do HRT têm dia diferente no Parque da Cidade

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Muitos doces diet e diversão para 150 pacientes

BRASÍLIA (26/10/17) – Cerca de 150 crianças diabéticas, atendidas na Unidade de Endocrinologia do Hospital Regional de Taguatinga, tiveram um dia diferente nesta quinta-feira (26): uma mesa repleta de doces diet, além de frutas e um passaporte para usar todos os brinquedos de um parque de diversões no Parque da Cidade.

“O objetivo da festa é proporcionar um dia de lazer para essas crianças, além de conscientizar os familiares quanto à vida saudável, sem açúcar, mesmo em dia de brincadeiras”, observa a endocrinologista pediátrica da Unidade de Endocrinologia do HRT, Roberta Faleiros.

A unidade promove festa do Dia dos Crianças há 26 anos e sempre foi realizada no Clube da Saúde. “Neste ano, o parque nos presenteou com 200 passaportes e assim trouxemos as crianças e seus familiares. Conseguimos, por meio de parceria e colaboração de funcionários, oferecer lanches da manhã e da tarde e um almoço, além de transporte para todos”, conta a endocrinologista.

Por todo lado do parque era possível identificar crianças e adolescentes vestindo a camiseta verde, feita especialmente para a data. Entre elas, estava a animada Valentina Moura, 9 anos. Nem mesmo a bomba de insulina – aparelho semelhante a um bip, composto por um cateter ligado à paciente para lançar insulina no corpo – impediu que a menina corresse por todo lado.

Valentina Moura (de camiseta verde) e sua prima Isabele Freitas

“Está sendo um dia muito legal. O brinquedo que mais gostei foi a barca e, em segundo, o carro que bate”, disse a menina, lembrando também que comeu bastante doce durante o evento. A família descobriu que ela tem diabetes quando a garota tinha 2 anos de vida. “A doença não atrapalha ela em nada, nem mesmo o uso da bomba. Vida normal”, diz a mãe, Rivas Adriana Barbosa.

O dia no parque contou com a participação de crianças bem pequenas, como Kaleb Rocha Patrocínio, de apenas 1 ano e 10 meses. Nem mesmo o sono deixou que ele largasse o potinho de iogurte diet. “Para a idade dele, a diversão foi menor, mas mesmo assim ele aproveitou bastante”, observou a mãe, Patrícia Campos Rocha.

O menino teve o diagnóstico de diabetes após muitas idas e vindas a hospitais. “Somente quando ele foi internado no HRT, uma enfermeira que o atendeu disse que ele poderia ter diabetes, devido aos sintomas. Foi aí que fez o exame e descobrimos”, conta ela, lembrando o choque, mas ressaltando que passado o susto, as adaptações fazem da rotina do menino a mesma de qualquer criança normal.

Kaleb Rocha Patrocínio e a mãe, Patrícia Campos Rocha

Cerca de 20 servidores e amigos da Unidade de Endocrinologia do HRT estiveram envolvidos, por três meses, na organização do evento.

REFERÊNCIA – A Unidade de Endocrinologia (Uendocrino) do HRT é referência para tratamento de diabetes na rede pública de saúde do DF. Em funcionamento desde a década de 1980, somente em 2012 passou a ter este nome. Apesar do foco ser diabetes, o local também conta com atendimento para outras doenças, como as de tireoide, tanto em crianças como em adultos.

Atualmente, aproximadamente mil pacientes crianças e adolescentes são acompanhadas, cerca de 50 por semana. Além dos atendimentos ambulatoriais, a Uendocrino faz a implantação e acompanhamento de bomba de insulina, um aparelho que substitui as constantes agulhadas feitas diariamente pelos pacientes.

“A bomba é um recurso para aqueles pacientes que já tentaram o tratamento com os tipos comuns de insulina e com esquemas intensivos, e que ainda assim não conseguem fazer o controle glicêmico, podendo chegar a ter convulsões”, explica o endocrinologista Leonardo Garcia.

O equipamento é ligado a um cateter no paciente e libera a insulina durante as 24 horas do dia. Segundo o médico, essa liberação é feita de hora em hora e também controlada pelo paciente, de acordo com a quantidade de carboidratos que ele consome. “Esse método possibilita ajustes mais precisos e também que o paciente faça a dosagem da insulina nos períodos em que mais precisa”, explica o endocrinologista.

Marcelo Nasser Siqueira durante consulta no HRT

O estudante Marcelo Nasser Siqueira, 17 anos, usa a bomba há sete anos. “Fiquei pouco tempo com a seringa, mas o suficiente para saber que a bomba é bem melhor, facilitou minha vida, pois não preciso mais sair com caixinha de isopor e preocupado em ter gelo para guardar a insulina”, disse o jovem.

Cerca de 100 pacientes, dentre eles, 30 crianças, fazem uso de bomba de insulina na rede pública de saúde do DF. O acompanhamento é feito nas unidades de referência para diabetes e a retirada de insumos, apenas no HRT.

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