Governo do Distrito Federal
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28/05/15 às 18h24 - Atualizado em 30/10/18 às 15h12

DF apresenta índice de mortalidade materna abaixo da média nacional

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53,9 óbitos em cada mil nascidos vivos na capital brasileira

BRASÍLIA (28/5/15) – Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (28) revelou que o Distrito Federal apresentou, em 2013, um índice de 53,9 óbitos maternos em cada 100 mil nascidos vivos, número semelhante ao de 2009, quando foi de 54,6. Embora as estatísticas estejam abaixo da média nacional (58,1 mortes/100 mil nascidos), os dados são considerados altos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o máximo de 20 óbitos em cada 100 mil nascidos vivos.

As informações foram apresentadas pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em alusão ao Dia Nacional da Luta pela Redução da Mortalidade Materna, celebrado hoje. Em um comparativo nacional, os números fornecidos colocaram o DF na 10º posição no ranking entre as 27 unidades da federal onde menos ocorreram óbitos proporcionalmente. Foram 106 mortes de 2009 a 2013, sendo 24 em 2009, 20 em 2010, 19 em 2011 e a mesma quantia em 2012, além de 24 em 2013.

Em nenhum dos estados os números estavam dentro do estipulado pela OMS. Em Santa Catarina, a primeira da lista, o índice de mortes chegou a 28,9%, enquanto no DF foi de 53,9% e, no Maranhão, o último colocado, o valor subiu para 58,1%.

RECORTE LOCAL – Já em um recorte no DF dentro do grupo das mulheres em idade fértil (10 a 49 anos), em 2009, o número de óbitos maternos no DF foi de 92,2 em cada 100 mil nascidos e caiu para 83,6 em 2013. As principais causas dos óbitos estavam relacionadas a tumores (26,3%), causas externas como acidentes e violência (22,3%), além das doenças do aparelho circulatório (17,5%). 

Quanto à amostra por faixa etária no DF, ficou dentro da meta aceitável pela OMS apenas a idade entre 10 a 19 anos, que manteve desde 2009 índices em torno de 16,8 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Já as faixas de 20 a 29 anos e 30 a 39 anos as quantias chegam a 43,6 e 66,8, em 2013. Para a faixa 40 anos ou mais, em 2011 houve zero morte, mas existiram ocorrências em 2012 e 2013, razão pela qual o número elevou para 203,1 em 2013, dentro do recorte do grupo.

Um dado relevante é o coeficiente para mulheres pelo quesito raça que atingiu 75% de óbitos para negras, em 2013, ou seja, houve crescimento do número de vítimas de cor escura, já que em 2013 eram 58,3%. As mulheres solteiras também são as principais vítimas dos óbitos em partos entre o grupo de casadas e separadas, chegando a 54,5%, enquanto casadas foi de 40,9%, e separadas 4,5%.

ABORTO – Outro dado é quanto ao número de internações por aborto, que passou de 4.684 registros para 3.151, de 2009 para 2013. “O fato de o aborto ser ilegal faz com que o número fique subestimado, porque há muitas mulheres que não procuram serviço ou fornecem outras causas”, lembrou Jamila Zgiet, da Gerência de Estudos e Análises da Codeplan.

Outro dado não satisfatório e fora das recomendações da OMS foi quanto aos partos com intervenção cirúrgica, que cresceram nesse período, ao saltar de 51,8% para 54,4%. A OMS estipula apenas que 15% do total seja feito dessa maneira.

AÇÕES – A chefe de gabinete da Secretaria de Saúde, Mônica Iassanã dos Reis, que é enfermeira obstétrica, destacou que desde 2011 o Distrito Federal vem fortalecendo as políticas públicas para reduzir óbitos maternos, com a adesão ao programa Rede Cegonha no DF, do Ministério da Saúde, o qual esteve à frente por três anos.

Segundo ela, uma série de ações está em curso para melhorar o quadro, como o aumento do percentual da investigação de óbitos, que saltou de 24,6% em 2006 para 100% em 2013.

Para ela, uma das ações mais importantes feitas após a unidade da federação aderir à política nacional é a captação precoce da gestante, ou seja, fazer com que ela faça a primeira consulta de pré-natal antes da 12ª semana de gestação, meta menor do que em outros estados, que é captar durante a 16ª semana. A medida é uma forma de prevenir e tratar possíveis complicações durante a gestação, garantindo um parto mais seguro.

“A Secretaria já adotou estratégias para que as mães cheguem até o serviço antes desse período estipulado. Uma das recomendações feitas aos profissionais de saúde é que todas as vezes que uma mulher passar por uma unidade de saúde, por qualquer motivo, ela seja questionada sobre possíveis atrasos menstruais e, se caso seja confirmada a gravidez com um teste rápido, ela já pode ali mesmo dar início ao seu pré-natal”, descreveu a chefe de gabinete.

Mônica também destacou que várias discussões têm sido feitas com as equipes de saúde para orientar bem as gestantes sobre o processo do parto. “Ao longo de 2012, 2013 e 2014 sempre temos tratado sobre as boas práticas de atenção ao parto e nascimento, que é permitir que a mulher tenha a oportunidade de ser ouvida, de buscar uma posição mais confortável que não seja necessariamente ficar deitada, que ela possa se alimentar e que não seja feito nenhuma intervenção desnecessária”, enfatizou.

A chefe de Gabinete também defendeu que as unidades de saúde pública oferecem uma linha de cuidado materno infantil, que vai desde a gestação até a criança completar 2 anos de idades. Nesse período, a mãe é orientada sobre onde e como fazer o acompanhamento do filho, por meio de consultas periódicas.

A coordenadora Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Ana Julieta Teodoro, lembrou que na rede há espaços em que as mulheres podem buscar atendimento humanizado para um parto o mais natural possível, como é o caso da Casa de Parto de São Sebastião. “Também não podemos esquecer um reforço na política de planejamento familiar, já que podemos evitar muitos abortos ilegais que comprometem a vida da mulher”, disse.