Governo do Distrito Federal
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28/09/17 às 11h22 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

DF é destaque em número de transplantes

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Unidade da Federação foi a que mais fez notificações de potenciais doadores em 2016

BRASÍLIA (28/9/17) – Primeiro lugar em notificação de potenciais doadores por milhão de habitantes e terceiro em doadores efetivos por milhão de pessoas em 2016, o Distrito Federal se destaca no cenário nacional de doação de órgãos. Neste ano, os dados já apontam que a região continuará figurando nessas posições.

Durante o ano de 2016, foram feitas 321 notificações de potenciais doares, o que representa 110,1 por milhão de pessoa, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. No primeiro semestre deste ano, já foram 137 notificações.

De janeiro a junho deste ano, foram realizados 313 transplantes, a maioria de rim (51) e córnea (160). Em nível nacional, o DF foi o que apresentou a maior taxa de transplante por milhão de pessoa, seguido de Ceará e Paraná.

O Distrito Federal também é destaque nacional em transplantes de coração. No primeiro semestre deste ano fez 16 procedimentos. Ao lado de Pernambuco, foram os únicos que fizeram mais que cinco transplantes por milhão de pessoas em todo o país.

FILA – Apesar do cenário positivo, ainda é preciso que as pessoas se sensibilizem e comuniquem aos familiares o desejo de tornar-se doador. Somente no DF, 348 pessoas aguardam por um transplante: 247 de rim, nove de fígado, 19 de coração e 73 de córnea. Em todo o país, esse número chega a 32 mil pessoas.

O mês de setembro, mais especificamente o dia 27, é reservado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. “Hoje em dia não é mais preciso que a pessoa deixe expresso em documento que é doadora. Basta que a família autorize o procedimento, depois de constatada a morte encefálica do paciente”, explica a coordenadora de Transplantes do Distrito Federal, Daniela Salomão.

Daniela Salomão, coordenadora de Transplantes do DF

Ela diz que após constatada a morte encefálica, a família é informada e chamada para uma entrevista. “Neste momento, explicamos como funciona e tiramos todas as dúvidas a respeito do procedimento”, detalha.

VIDA – Quem recebe um órgão, sabe da importância desse ato na prática. Após 11 meses aguardando por um transplante, depois de três anos de hemodiálise, Gaby Gonçalves, 40 anos, recebeu uma ligação numa sexta-feira, há quase três anos, com a notícia que tanto esperava. “Acharam um doador compatível. Na hora que ouvi, passou um milhão de coisas na minha cabeça, fique muito ansiosa. Mas depois disso, muita coisa mudou na minha vida”, diz.

Ela conta que até a personalidade mudou depois do procedimento. “Valorizo mais a vida, passei a praticar atividade física, participo de corrida de rua e estou com uma alimentação mais saudável. Tem muito tempo que não passo nem perto de hospital”, conta.

Gaby Gonçalves foi uma das participantes de evento em alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos no Hospital de Base, na manhã desta quarta-feira (27). Durante a atividade, ela leu a seguinte frase, que deixa como mensagem para sensibilizar as pessoas à doação: “Não pense na doação de órgãos como oferecer parte de você para que um desconhecido possa viver. Na realidade, é um desconhecido que oferece o corpo para que uma parte de você continue vivendo.”

Para Francisco das Chagas Cunha, 45, que também recebeu um rim, quem doa órgãos doa vida a outra pessoa. Ele, que ficou 20 anos na expectativa de um doador, viu tudo mudar há sete meses. “Estava na cadeira da hemodiálise quando recebi a ligação informando que haviam encontrado um rim compatível. Hoje vivo muito bem, estou muito feliz”, conta.

PROCESSO – Atualmente, o DF realiza transplantes de medula, coração, fígado, rim e córnea. Os procedimentos, na rede pública, são realizados no Hospital de Base, Hospital Universitário de Brasília e Instituto de Cardiologia (ICDF).

Segundo Daniela Salomão, a captação de órgãos pode ser feita em qualquer hospital, por equipe credenciada. “O hospital comunica à equipe a probabilidade de morte encefálica e ocorrendo de fato, as equipes de captação – cada órgão tem uma específica – vão até a unidade fazer os procedimentos necessários”, explica.

Em casos de doadores intervivos, ou seja, na doação de rins, o processo varia um pouco. “No Brasil, precisa haver relação de parentesco de até quarto grau ou ser cônjuge para verificar compatibilidade. Em casos onde não há parentesco, é preciso passar por procedimento legal: isenção de repasse financeiro, compatibilidade, depois passar pelo comitê de ética do hospital e depois uma autorização judicial”, enumera.

HEMOCENTRO – Para verificar a compatibilidade dos órgãos, o Hemocentro é ator principal. É o único laboratório do Distrito Federal responsável por fazer a triagem laboratorial de doadores e receptores. “Todo paciente que deve passar pelo transplante já faz o exame chamado HLA, que fica armazenado em nosso banco de dados e cadastrado na fila de transplante. Caso apareça um doador, é colhido material para fazer este mesmo exame nele”, explica o chefe do Núcleo de Suporte de Transplantes da unidade, Jeferson do Carmo Araújo. Ele explica, ainda, que após confirmada a compatibilidade, é feito um teste in vitro para verificar se há ou não risco de rejeição pós-transplante.

No caso de doação de medula, o procedimento é semelhante. “A diferença é que o doador, voluntário, vem até a unidade e colhemos uma amostra que vai para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Quando algum paciente necessita de doação, esse banco é consultado e, encontrando um doador, este é re-convocado para novos exames e só depois encaminhado para o transplante”, explica Jeferson do Carmo.

No primeiro semestre de 2017, o DF realizou 41 transplantes de medula óssea. Para quem deseja doar, é preciso ligar antes no 160 opção 2 para agendar o dia de retirar a amostra. Quem faz o transplante é o ICDF.