Governo do Distrito Federal
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17/05/19 às 15h31 - Atualizado em 17/05/19 às 17h14

No DF, quatro casos de violência sexual são registrados por dia

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Crianças e adolescentes são vítimas em 73% das notificações

 

 

Até o início de maio deste ano, a rede de saúde pública do Distrito Federal registrou 376 casos de violência sexual. Isso representa uma média de quatro casos por dia. As crianças e adolescentes são as principais vítimas em 73% dos casos. Este número entra em um universo de 1.882 casos de violência já notificados, entre elas física, sexual e psicológica, em todas as idades.

 

“Isso é uma grave ameaça à sua saúde física, psíquica e ocasionam sérios danos à vida social. Os profissionais de saúde compõem a rede de proteção de crianças e adolescentes, além de atuar na prevenção e interrupção da violência”, explica a psicóloga e gerente de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde, Fernanda Falcomer.

 

Ela completa que os impactos podem ser medidos a partir da avaliação de alguns fatores, como duração da violência, grau de vínculo com o agressor, uso de ameaça e agressão física. “Neste sentido, quanto mais cedo interromper a violência, acolher a vítima e seus familiares e encaminhar para o atendimento especializado, melhores as possibilidades de recuperação dos danos e ressignificação da experiência”, diz.

 

Toda a rede de saúde está apta a identificar, acolher, notificar e atender as pessoas em situação de violência sexual. Mas é nos Programas de Pesquisa, Assistência e Vigilância da Violência (PAV) onde este atendimento é mais específico.

 

“Nos PAVs, priorizamos o acolhimento e atendimento dos casos de violência sexual. O foco do atendimento são as crianças e adolescentes e seus familiares. Temos duas equipes especializadas no atendimento dos autores de violência sexual adolescentes (PAV Jasmim) e adultos (PAV Alecrim)”, explica Falcomer.

 

O programa no DF é referência no SUS do Brasil. São utilizadas técnicas de Grupo Multifamiliar e de Grupo Terapêutico para intervenções em situações de violências. “Algumas delas foram desenvolvidas pelos próprios profissionais dos PAV baseadas em estudos e evidencias científicas de referência Nacional e Internacional”, complementa.

 

CAMPANHA – Para mobilizar sociedade e governo, em todo dia 18 de maio são desenvolvidas diversas atividades, no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

 

As ações e atividades desenvolvidas neste período têm o intuito de mobilizar, sensibilizar, informar todos os setores da sociedade sob a importância de assumir o compromisso cotidiano no enfrentamento da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes.

 

Nesse sentido, articulado com o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Contra Crianças e Adolescentes, a Secretaria de Saúde, por intermédio dos Núcleo de Prevenção e Assistência à Violência e dos PAVs realizarão diversas ações durante todo este mês de maio. Confira aqui a programação.

 

HISTÓRICO – O dia 18 de maio foi escolhido por que nesta data, em 1973, aconteceu um crime em Vitória (ES), que ficou conhecido como “caso Araceli”. Este era o nome da menina que, a época com apenas 8 anos de idade, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime está impune até hoje.

Porém, a data só foi definida como Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil em 1998, durante o 1º Encontro do Ecpat no Brasil. E aprovado como data oficial com projeto de lei sancionado em maio do ano 2000.

 

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos (detalhes): Matheus Oliveira – Saúde-DF – Arquivo

Fotos (fonte): Mariana Raphael – Saúde-DF

Arte: Rafael Ottoni – Saúde-DF