Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
26/06/17 às 11h50 - Atualizado em 30/10/18 às 15h17

Região Centro-Norte amplia em 40% cobertura da Saúde da Família

COMPARTILHAR

Meta é atender 70% da demanda diretamente nas Unidades Básicas de Saúde

BRASÍLIA (26/6/2017) – Os 85 anos de Dona Ivone Araújo Eduardo, primeira moradora do Cruzeiro Velho, não lhe tiraram a disposição nem a paciência para responder ao minucioso questionário de cadastramento da Estratégia Saúde da Família – uma evolução na prestação dos serviços de saúde, fundamentada na integração entre profissionais do setor e usuários, mas, sobretudo nas práticas preventivas, que deverão solucionar com eficiência 70% dos problemas de rotina da comunidade.

Essa convicção é compartilhada por Dona Ivone – não apenas como usuária, mas como profissional – do alto da sua experiência como auxiliar de enfermagem em quase quatro décadas de dedicação ao sistema de saúde do DF, sendo os últimos vinte anos na unidade do Cruzeiro que agora lhe presta atendimento na sua própria residência.

“Acredito que essa é a melhor forma de assegurar uma atenção de qualidade à população. As equipes multiprofissionais conhecerão a realidade de cada família, criando vínculos e agindo na prevenção, antes que os problemas de saúde se instalem”, afirma com a segurança dos que têm conhecimento de causa.

Ela ressalta, contudo, que a comunidade deve participar de forma ativa do processo de reestruturação do atendimento, “prestando as informações aos profissionais de saúde quando eles baterem na porta de casa, pois essa é a única forma de mostrar um quadro real dos problemas de saúde locais”, relembrando as ocasiões em que não recebia a devida atenção ao procurar os moradores do bairro em atendimento domiciliar.

Marlene Cerqueira, de 83 anos, também compartilha da ideia de que a comunidade dever ter uma conduta participativa. Presidente da Associação dos Idosos Paz e Amor do Cruzeiro Velho, confessa que tanto ela quanto os afiliados tiveram dúvidas sobre as vantagens do novo modelo de atendimento. No entanto, após as explicações prestadas pela equipe da Unidade Básica de Saúde 2 do Cruzeiro, “compreendemos melhor o novo projeto e aguardamos pela melhoria dos serviços, atuando em conjunto com as equipes de saúde”.

“É natural que haja dúvidas quando acontece uma mudança tão efetiva no sistema de atendimento”, pondera Sandra Duarte Nobre, gerente de Atenção Primária da UBS 2, que não tem dilemas sobre a efetividade da Estratégia Saúde da Família. “Com o cadastramento dos moradores teremos um profundo conhecimento da situação de saúde do Cruzeiro Velho. Antes, atendíamos usuários de todos os lugares, o que sobrecarregava a unidade e não permitia o estabelecimento de vínculos e o conhecimento aproximado dos indicadores de saúde locais, fundamentais para a adoção das pertinentes ações de saúde”.

AMPLIAÇÃO – Enquanto o trabalho de cadastramento da população e a reorganização do atendimento prosseguem em ritmo acelerado na ponta, os números aferidos pelo comando da Região Centro-Norte de saúde – a que se subordina a UBS do Cruzeiro – mostram de forma evidente o avanço do novo modelo de atendimento.

“Tínhamos somente irrisórios 1.36% de abrangência na Estratégia Saúde da Família e, em apenas três meses após a implantação do projeto, alcançamos 38% de cobertura populacional”, revela a diretora da região, Rosânia Araújo Medeiros. Para ela, o estabelecimento da nova forma de atendimento em curso, nada mais é do que a retomada dos princípios básicos que nortearam a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, cujos fundamentos estão entre os mais avançados mundialmente.

“Estamos resgatando o atendimento de fluxo organizado e calcado nas ações preventivas. Um sistema de saúde tão complexo como o nosso não pode ser direcionado prioritariamente para as ações curativas, onde o resultado à mostra é a superlotação das emergências e unidades hospitalares. Estamos buscando a interação com a comunidade e perseguindo um dos pilares fundamentais do SUS, a ação voltada para a saúde e não para a doença mas, sobretudo, para a equidade no atendimento”, conclui.

Confira aqui as fotos.