Governo do Distrito Federal
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27/03/17 às 17h34 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Gerência de Psicologia oferece mais qualidade à rede de saúde

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Setor foi criado para atender usuários do SUS em sofrimento psíquico. São dez tipos de serviço disponíveis para a população no atendimento de saúde mental

BRASÍLIA (27/3/17) – No grupo de psicologia comunitária para idosos do Centro de Saúde nº 5 de Ceilândia, toda sexta-feira o psicólogo Marcus Daniel Lima atende 20 pessoas, a maioria mulheres. Ao entrar na sala, ouve-se o som de música de meditação ao fundo. Os participantes falam sobre seus problemas e encontram ali o apoio que buscam.

Os assuntos debatidos são levados pelos próprios pacientes, encaminhados ao grupo pelos médicos da unidade. Cada encontro tem três fases: recepção, meditação e discussão.

Responsável por conduzir a conversa, Marcus Lima é um dos 304 psicólogos ativos na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, distribuídos nos diferentes níveis de atenção: primária, média e de alta complexidade. Os serviços variam de grupos de psicologia comunitária, como o de Ceilândia, a atendimentos para pacientes internados em hospitais.

Ana Alves da Cruz, de 64 anos, participa das reuniões semanais no Centro de Saúde nº 5. “Aqui a gente se sente em casa, conversa com as amigas. O relaxamento é muito bom para nossa mente. Aprendo a não ficar muito nervosa”, conta.

Maria dos Santos Sousa, de 83 anos, concorda com a colega. “A gente conversa com outras pessoas e se sente melhor. Não tenho estresse, não sei o que é isso.”
Em casos mais sérios, é feito o tratamento individual. Neste ano, já foram 249 atendimentos na unidade de Ceilândia.

Atendimentos psicológicos em todo o DF
De acordo com o último balanço quadrimestral da Gerência de Psicologia da Secretaria de Saúde, foram feitos 11.094 atendimentos psicológicos ambulatoriais de setembro a dezembro de 2016 e 6.774 pessoas foram recebidas nos diversos grupos terapêuticos da rede.

Criado há cerca de um ano, o serviço existe para atender usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em sofrimento psíquico e abarca todas as possibilidades de atuação do psicólogo na saúde pública.

Segundo a gerente de Psicologia da pasta, Giselle de Fátima Silva, esse compromisso ético se materializa no sistema prisional, no consultório, na rua e no ambulatório de cuidados paliativos.

“Antes da gerência, os hospitais tinham porta aberta para atendimento psicológico e tinham filas gigantescas”, explica a psicóloga. A ideia é tratar os pacientes com base nas prioridades. “A psicologia no SUS é uma maneira concreta de democratização desse tipo de assistência.”

Dez serviços oferecem para a população atendimento de saúde mental e psicológica no DF:

– Assistência e vigilância em violência (PAVs)
– Atenção domiciliar
– Centros de Atenção Psicossocial (CAPs)
– Centros de saúde
– Centros especializados em reabilitação
– Consultório na rua
– Núcleos de apoio à saúde da família
– Psicologia hospitalar
– Sistema prisional
– Unidades de terapia intensiva
– Serviço de psicologia em unidades de terapia intensiva (UTI)

Disponível em situações de emergência, por meio de pareceres médicos e ronda diária, das 7 às 20 horas

Serviço de psicologia em unidades de terapia intensiva (UTI)

– Hospital de Base
– Hospital Materno-Infantil de Brasília
– Hospital Regional da Asa Norte
– Hospital Regional de Ceilândia
– Hospital Regional do Gama
– Hospital Regional do Paranoá
– Hospital Regional de Sobradinho

Humanização dos transtornos mentais severos
Nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), o trabalho é feito por demanda espontânea, para pessoas com transtorno mental grave como esquizofrenia, bipolaridade e depressão. Em algumas unidades, há atendimento para dependentes de álcool e outras drogas.

Katarina Matos, psicóloga do CAPs II de Taguatinga, tenta desmitificar a ideia que a sociedade tem sobre pessoas com esse quadro mental. “Alguns transtornos não têm cura, mas a pessoa pode aprender a conviver com isso, tentar investir nas potencialidades, trabalhar, se relacionar, aprender a viver com qualidade de vida.”

Ela ressalta que o trabalho é humanizado e que o lugar não tem cara de hospital. Os médicos não usam jaleco e se portam de forma igual aos pacientes. No centro, há terapia ocupacional, bazar, festas, grupos, atendimentos individuais e acompanhamento para as famílias.

No CAPs II de Taguatinga, em 2016, foram acolhidas 1.079 pessoas. Neste ano, 275.

Cuidados paliativos no Hospital de Base
Somente no Hospital de Base, 907 pacientes internados foram atendidos pela psicologia em quatro meses. A advogada Adelita Guasco, de 58 anos, é um exemplo.
Diagnosticada com câncer pela terceira vez, ela enfrenta a doença com acompanhamento psicológico na Unidade de Cuidados Paliativos do hospital.

A unidade é especializada também em complementar o tratamento oncológico, em que o foco é contribuir para diminuir a dor física, social e psicológica dos pacientes e seus familiares.

A equipe é composta por médicos paliativistas, assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnicos de enfermagem.
Para Adelita, que há um ano recebe tratamento quinzenal, a terapia faz grande diferença na vida das pessoas. “Aqui descobrimos o quanto ainda somos úteis, capazes. É um fortalecimento.”

A psicóloga Flávia Nunes, que acompanha Adelita, fala sobre a importância desse tratamento. “Entendemos que o adoecimento envolve questões físicas, biológicas, psicológicas e sociais. O paciente precisa ser visto em todos esses aspectos. É importante a psicologia estar inserida nessas equipes.”

O atendimento para os tratamentos de oncologia é feito também nos Hospitais de Apoio de Brasília, da Criança e Regional de Taguatinga.

Atendimento psicológico para oncologia
Feito em situações de emergência, das 7 às 20 horas

– Hospital de Apoio de Brasília
– Hospital de Base
– Hospital da Criança de Brasília José de Alencar
– Hospital Regional de Taguatinga