Governo do Distrito Federal
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30/09/16 às 21h03 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Guará encerra “Setembro Amarelo” com palestra sobre Depressão

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Evento foi para profissionais de saúde, servidores e pacientes

BRASÍLIA (30/09/16) – Para finalizar o “Setembro Amarelo”, mês de luta contra o suicídio, a coordenação de Fisiatria do Hospital Regional do Guará (HRGu) promoveu uma palestra sobre Depressão com a Dra. Hiltanice Bezerra, médica psiquiatra do SAMU-DF. O evento foi para profissionais de saúde, servidores e pacientes. A doença, segundo a Organização Mundial de Saúde, é uma das que mais contribuem para a causa do suicídio e já atinge 7% da população mundial, o que representa 400 milhões de pessoas.

No Distrito Federal, a depressão se transformou, por exemplo, na maior causa de afastamento de servidores e é também a primeira causa de afastamento de trabalho no mundo, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A psiquiatra iniciou a palestra com o filme “Divertida Mente” para ilustrar a importância dos sentimentos e principalmente, a importância de administrá-los.

Segundo a profissional, o transtorno leva sim a morte e sempre começa de forma leve e quando os sintomas são ignorados, a doença evolui. Do total de diagnosticados, 15% podem tentar o suicídio. “Essa doença já é um dos principais fatores de incapacitação no mundo, pela OMS. Então, as pessoas devem ficar atentas aos sintomas porque é o transtorno de humor mais comum. Muitas vezes vem associado a outras causas como alcoolismo, transtorno de ansiedade, pós-parto, entre outras patologias como a Fibromialgia”, declarou.

Por isso, a profissional ressalta que é muito importante fazer um levantamento minucioso da história médica porque muitos distúrbios clínicos podem simular ou causar depressão. O abuso de substâncias ou abstinência também pode trazer sintomas semelhantes. “Temos quatro tipos de depressão importantes que é a atípica, melancólica, distimias, transtorno afetivo sazonal e a dupla, por exemplo. Podem ainda causar depressão, o distúrbio de tireoide, anemia, diabetes, câncer, doença de Parkison, AVC, distúrbios de vitamina B1, LES e TPM”, elencou.

Maria Freitas, servidora e portadora da doença, luta há mais de 21 anos para se curar e tem certeza que uma característica determinante foi o gene herdado de sua família. Sua vó e mãe tiveram problemas com a doença e os filhos também tratam. “Acredito que tenha sido a genética. A minha despontou mesmo no pós-parto da minha filha. Mas, só fui diagnosticada anos depois. Hoje todos nós tratamos menos um filho que não aceita que tem a doença e por ironia é estudante de psicologia. É uma preocupação constante porque a minha filha já tentou autoextermínio mais de uma vez e não tenho paz de deixa-la andar sozinha”, declarou.

A profissional explicou que é importante sempre perguntar ao paciente sobre esse tipo de tentativa. “Perguntar em sua rotina se a pessoa tem pensamentos suicidas específicos, nível de planejamento, letalidade do método, se abusa de substâncias, doenças físicas crônicas e dolorosas, bem como o histórico familiar”, ressaltou.

Os caminhos elencados por Bezerra para tratar a depressão vão desde as medicações como as terapias alternativas e psicoterapia. Além disso, os profissionais fazem um grande esforço para manter as atividades laborativas e sociais do paciente. Por fim, Hiltanice encerrou sua palestra com a frase de Gustav Jung em que resume o caminho para não cair nesse mal: somente aquilo que realmente somos pode nos curar. Para ela, quanto mais temos autoconhecimento, mais armas temos de não cair nas ciladas que atraem a depressão.

O Brasil é um dos países em desenvolvimento que está entre os 18 países com maior incidência da doença. Esse número chega a 11 milhões de pessoas, divulgado no fim de 2014 pelo IBGE, representava, à época das entrevistas, em 2013, 7,6% da população com mais de 18 anos. O Ministério da Saúde preconiza a saúde mental nos Centros de Atenção Psicossocial veja aqui a lista deles: