Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
11/06/13 às 20h23 - Atualizado em 30/10/18 às 15h06

HMIB está preparado para fazer partos de portadoras de deficiência

COMPARTILHAR

Equipe de profissionais supera dificuldades de comunicação

O Centro Obstétrico do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) garante parto humanizado e conta com uma equipe preparada para superar dificuldades de comunicação com gestantes portadoras de algum tipo de deficiência.

A paciente L.X*, deficiente auditiva, ficará marcada na memória das enfermeiras, médicas e psicólogas que durante quatro horas trabalharam para garantir um parto humanizado à adolescente de 14 anos. “Ela estava muito assustada e não nos deixava examiná-la. Estava sozinha, sem nenhum acompanhante, e não sabia se comunicar pela língua dos sinais”, explica a estagiária de psicologia, Bárbara Menezes de Medeiros, que atendeu a paciente usando a linguagem das libras.

Grávida do primeiro filho, L.X* foi acolhida pela Classificação de Risco e a comunicação foi feita basicamente por meio de mímica e libras. “Quando atendemos uma paciente deficiente auditiva, sempre há a presença de um acompanhante que é seu intérprete, mas desta vez foi atípico porque ela estava sozinha. Tentamos ficar atentos à linguagem corporal da paciente e usar todos os meios que dispúnhamos”, explica a técnica de enfermagem, Chrismá Lessa de Souza.

Ao perceber o empenho da equipe, LX* foi se acalmando, principalmente após a chegada da equipe de psicólogos e deu à luz de cócoras, abraçada pela psicóloga e com a médica sentada no chão. “Tudo indicava que seria um parto muito estressante devido à dificuldade de comunicação com a paciente. Procuramos respeitá-la ao máximo e, com toda a paciência da equipe, conseguimos vê-la feliz, com o filho nos braços, tentando amamentar o bebê ainda sujinho do parto”, conta a médica que realizou o parto, Rafaela Ferreira Miziara.

Segundo a psicóloga Alessandra Arrais, quando chega à sala de parto geralmente a mãe está desorganizada emocionalmente e somente ao sentir-se segura por meio da equipe de saúde e do próprio acompanhante, começa a colaborar para que o parto seja tranquilo.

“A lição que essa paciente nos deixa é que a equipe está cada vez mais preparada para lidar com demandas atípicas. Fazemos um acolhimento que vai além do dialogo, respeitando sempre as diferenças e compreendendo as necessidades das nossas pacientes mesmo através de seu silêncio”, completa a psicóloga.

HMIB – Com uma média de 600 partos por mês, o Hospital Materno Infantil de Brasília é referência na área materna, principalmente em grávidas de alto risco. Intitulado Hospital Amigo da Criança desde 1994, o HMIB adota práticas que beneficiam a saúde da mãe e do bebê durante todo o processo de desenvolvimento da criança.

A inclusão do acompanhante na hora do parto, o respeito à privacidade, a liberdade de movimentar-se e escolher a posição do parto são algumas das garantias. Mesmo sendo um hospital especializado e preparado para enfrentar situações adversas, há momentos em que é exigido muito mais do que a técnica médica. “Fazer um parto humanizado é garantir que a equipe respeite a vontade da paciente, tenha paciência e carinho para garantir tranquilidade no momento do parto”, relata Coordenadora Geral de Saúde da Asa Sul, Roselle Bugarin Steenhouwer.

*Por questões éticas a identidade da paciente foi preservada.

Ana Luiza Greca