Governo do Distrito Federal
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15/07/13 às 16h17 - Atualizado em 30/10/18 às 15h06

HMIB inova atendimento na maternidade

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Acompanhamento psicológico para quem sofreu perda de filhos

O Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) implantou atendimento psicológico específico para lidar com mães e famílias que passam pelo sofrimento da perda de seus filhos que morreram antes ou logo após o nascimento.

O trabalho inovador do protocolo de luto perinatal tem como objetivo evitar o desenvolvimento de traumas e distúrbios mentais, em especial, o luto patológico, na mãe e familiares após óbito por aborto espontâneo, intercorrências na gestação, má formação fetal, após o nascimento e até por lutos mal elaborados em gravidez passada. “Percebemos que era imprescindível desenvolver um atendimento especializado para dar suporte às mães e à família. Além disso, lidar com a morte é difícil para todo mundo e o silêncio que frequentemente se instala na família e na equipe é a pior maneira de lidar com o sofrimento e a dor”, relata a coordenadora geral da asa sul, Roselle Bugarin Stenhouwer.

Segundo a psicóloga responsável pela elaboração do protocolo, Alessandra Arrais, apesar da importância do atendimento, poucos hospitais no Brasil oferecem esse tipo de tratamento. “Há poucos estudos que tratam do luto perinatal por isso ele não é tão disseminado nas maternidades”, explica a psicóloga.

A abordagem da equipe de psicólogos inicia-se no pós-parto ou mesmo antes das contrações para bebê que está sem vida na barriga da mãe. A terapêutica consiste em ajudar os pais no processo de perda por meio de técnicas específicas de elaboração e aceitação. Segunda a psicóloga, a equipe cria um ambiente propício e estimula o diálogo sobre a morte, visualização do corpo da criança, a realização de rituais fúnebres. “A morte é um tabu em nossa sociedade e tanto a equipe de saúde quanto a família sentem-se constrangidos em lidar com a mãe enlutada. Por isso, tentamos criar junto com as mães outros significados para a morte para transformarmos a tristeza e culpa em paz e aceitação”.

O cuidado com essas mães vai além do apoio psicológico no momento do óbito. O hospital também oferece treinamento para a equipe de médicos e enfermeiros e conta com um espaço na Policlínica para alojá-las até a sua recuperação. “Normalmente colocamos essas mulheres nos quartos da Policlínica para não misturá-las com as mães de bebês vivos e até para evitar que elas escutem o choro dos bebês porque o sofrimento delas é muito grande”, explica Alessandra.  

Mirian Vasconcelos de Oliveira, estagiária e componente da equipe de psicólogos do Centro Obstétrico do HMIB, relata a importância da realização do protocolo. “Temos guardadas cartas lindas de despedida que estimulamos as mães e pais a escrever durante o protocolo de luto. Depois do nosso trabalho é comum escutar das pacientes o quanto elas se sentem mais aliviadas e em paz”, comenta Mirian.

A paciente Arlete, gravida de gêmeos, conta em carta que com vinte e  duas semanas de gravidez começaram as complicações e os bebês acabaram falecendo.  “Vi minha vida acabar, meus sonhos apagarem, perdi o chão e a razão”. Em sua carta de despedida ela conta que sente por não ter conseguido salvá-los e pede perdão por não ter conseguido ser a mãe que ela planejou ser. Após a intervenção dos psicólogos ela escreve que sempre os amará e agradece a o trabalho da equipe. “Meus filhos, vocês serão sempre os meus anjinhos e apesar do tempo que passamos juntos ter sido tão pouco, aprendi a amar vocês (…) obrigada pelas palavras maravilhosas de cada uma da equipe. Amei conhecer cada um”. 

A equipe atende de segunda a sexta das 14h às 18h. É composta por um psicólogo supervisor e seis estagiários do último ano de psicologia. O tratamento dura até o período de internação da paciente e, após a alta, é feito contato telefônico. Caso observe a necessidade de um tratamento mais prolongado, a mãe é encaminhada para o tratamento psiquiátrico e psicológico ambulatorial do Núcleo de Atendimento Terapêutico do hospital.

Saiba mais:

Perguntar e respostas sobre o luto perinatal

 

Ana Luiza Greca