Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
15/06/16 às 18h20 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

Abandono e negligência atingem os idosos no DF

COMPARTILHAR

Estimativa é de que a capital do país tenha aproximadamente 300 mil habitantes com 60 anos ou mais

BRASÍLIA (15/6/16) – O abandono e a negligência são as principais violências cometidas contra os idosos no Distrito Federal. Além do desamparo, as pessoas com essa faixa etária também sofrem majoritariamente com a violência psicológica e física. A situação foi retratada durante o “Simpósio Cuidar para Prevenir a Violência Contra a Pessoa Idosa”, promovido, nesta quarta-feira (15), Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

“Ao longo de 2015, nós registramos 84 notificações de violência contra idosos nas unidades de saúde e a maioria dos casos (68%) são contra as mulheres”, disse a assistente social do Núcleo de Estudos e Programas na Atenção e Vigilância em Violência (Nepav) da Secretaria de Saúde, Telmara de Araújo, durante o evento, realizado no Auditório Fiocruz com o apoio da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Segundo ela, entre os 47 casos de negligência/abandono, 33 são contra mulheres; das 32 situações de violência psicológica, 25 foram contra idosas e; dos 31 registros de violência física, 22 atingiram a parcela feminina. Em quarto lugar ficou o abuso financeiro, com 11 casos e apenas 5 contra homens.

A presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, (ABRAz) Jurilza Mendonça, lembrou que é necessário conscientizar a população sobre o assunto, já o familiar cuida do idoso diariamente e isso causa uma sobrecarga de estresse, que contribui com a geração de violência.

“Nós queremos mostrar a sociedade a importância de saber cuidar da pessoa idosa. As famílias precisam ser capacitadas para cuidar bem, porque quando se sabe como cuidar, o idoso não será maltratado”, disse a presidente.

Segundo estimativa da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) da Secretaria de Saúde, com base no censo do IBGE, é de que residam 273.903 pessoas acima de 60 anos na capital do país. Para 2.050, a expectativa é que 30% dos brasileiros se enquadrem nessa faixa etária.

“Temos interesse em saber o que vamos passar hoje, amanhã e depois. Temos pressa em saber dos cuidados que deveremos ter conosco e também com o próximo”, disse a aposentada, Selma Rosa Valim, 68 anos, que compareceu ao evento o marido, também aposentado, José Aucélio Valim, 74 anos.

Como identificar a violência? A violência contra a pessoa idosa pode ser classificada como: física, sexual, psicológica, econômica/financeira, abandono, negligência e autonegligência.

A coordenadora da Geriatria da Secretaria de Saúde, Larissa de Freitas, explica que os casos de abuso por omissão podem ser ter características como: higiene inadequada, assaduras, desidratação e desnutrição. Também são sinais administração incorreta dos medicamentos e demora por assistência médica.

“O geriatra também pode contribuir com a verificação de indícios pelo exame físico, como analisar se há manchas de diferentes colorações ou diferentes estágios. Também é necessário verificar se ele está sozinho na consulta, se está triste ou desanimado”, disse a profissional.

DENUNCIE – Os casos de violação dos direitos do idoso podem ser relatados a autoridade policial, Ministério Público, Conselho do Idoso, delegacias, defensoria pública e disque direitos humanos pelo telefone 100.

DATA – O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa foi instituído pela Instituto Internacional de Prevenção a Violência contra a Pessoa Idosa e Organização Mundial da Saúde.

Veja as fotos aqui: