Governo do Distrito Federal
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7/04/16 às 22h00 - Atualizado em 30/10/18 às 15h14

Interdição de pessoa idosa com demência é tema de palestra no HRGu

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Um dos objetivos foi interpretar a Cartilha dos Curadores desenvolvida pelo MPDFT

BRASILIA (7/04/16) – O serviço social do ambulatório de Atenção à Saúde do Idoso do Hospital Regional do Guará (HRGu) realizou, nesta quarta-feira (6), uma palestra para curadores sobre a interdição da pessoa idosa com demência. O objetivo foi esclarecer questões que envolvem os pacientes que apresentam a doença. 

A palestra foi dada por Karla Couto, defensora pública e coordenadora da Central Judicial do Idoso e teve como foco a Cartilha dos Curadores, desenvolvida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Também esteve presente ao encontro o geriatra Carlos Frattine.

Segundo o geriatra, são várias as causas que levam a demência, que caracteriza por deficiência cognitiva persistente e progressiva. Dependendo da demência, sua evolução chega a causar a perda total da consciência do mundo que cerca o cotidiano da pessoa. De acordo com Frattine, quando o paciente chega nesse ponto, torna-se totalmente dependente de alguém e é nesse momento também que passa a ser representado por um curador, nomeado por um Juiz.

Na parceria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, MPDFT e Defensoria Pública, percebeu-se que a maioria dos curadores, provisórios ou definitivos, desconhecem suas atribuições e responsabilidades.

Karla Couto explica que a Cartilha de Orientação aos Curadores cumpre o papel de orientar quanto aos cuidados, administração do patrimônio e rendimentos, atos permitidos e proibidos, bem como da prestação de contas que devem ser anexada ao processo de interdição. Segundo a defensora pública, esse é um assunto sensível para a Justiça, por isso foi criada a Central Judicial do Idoso. A busca na unidade é sempre pela resolução consensual do conflito pelo Núcleo de Mediação.

“Nosso principal foco com a Central foi o de buscar entender as necessidades da pessoa idosa e as demandas diversas com suas especificidades, para assim trabalhar assertivamente dando os encaminhamentos corretos. Além disso, temos o desafio da sensibilização dos envolvidos no processo. Por isso, o nosso trabalho é multidisciplinar com o atendimento feito por profissionais do direito, da psicologia e do serviço social no primeiro momento. Só assim, é possível irmos além do papel e evitar demandas judiciais”, afirmou Karla.

Ela destaca três principais problemas que os idosos com algum tipo de demência enfrentam, são eles: a violência psicológica, exploração do dinheiro e negligência. Além disso, em relação à violência física, 90% dos agressores são da família sendo que 60% são filhos. A queixa-crime hoje pode ser realizada na Delegacia Especializada, lançada há dois meses, para crimes contra idoso, racismos, deficiente físico e opção sexual.

Na Saúde, os casos de violência que chegam às emergências e unidades de Saúde devem ser notificados compulsoriamente pelo profissional de saúde em sistema próprio interligado com o Ministério da Saúde. A população pode realizar denúncias também pelo disque 100.

Maria da Glória, 68 anos, é cuidadora do esposo e vem de um caminho sofrido. Cuidou da mãe com Alzheimer há 17 anos. Agora, enfrenta novamente a doença que atingiu o marido. “Não é fácil. Tudo isso me trouxe um infarto o ano passado. É muita coisa acumulada. Tenho dois filhos maravilhosos que me ajudam, mas é muito difícil você ter que lidar com o fato de perder alguém vivo”, desabafou.

Carlos Frattine, geriatra do HRGu desde a fundação do ambulatório geriátrico, ressalta a importância de cuidar do cuidador. “É preciso cuidar da saúde porque senão as duas pessoas ficam doentes. É preciso muita paciência e ter estratégias para não sobrecarregar ninguém da família. E se esta não ajuda, aí é o caso sim de acionar os meios legais para resguardar quem quer cuidar”, declarou.

O Hospital Regional do Guará conta com a parceria da Justiça desde a fundação de seu ambulatório de Geriatria, em 1992, o primeiro do DF. A unidade realiza palestras e encontros periodicamente com os pacientes e seus cuidadores.