Governo do Distrito Federal
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30/09/20 às 13h54 - Atualizado em 1/10/20 às 17h29

Mais de 160 partos foram feitos no Hran desde o início da pandemia

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Hospital é referência no atendimento de pessoas com a Covid-19

 

LEANDRO CIPRIANO

 

Referência no atendimento de pessoas com Covid-19 no Distrito Federal, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) fez, desde o início da pandemia, 166 partos em pacientes suspeitas ou confirmadas com a doença, sendo dois deles de gemelares. A eficiência dos serviços mostrou ainda um baixo índice de mortalidade, com apenas três óbitos maternos e dois casos de bebês natimortos, ocorridos em agosto.

 

Pronto-socorro obstétrico do Hran atende grávidas confirmadas ou com suspeita de Covid-19 – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

 

“A nossa taxa de mortalidade mostrou-se baixíssima. Resultado de todos os protocolos de segurança que têm sido adotados no hospital para proteger tanto os pacientes como os profissionais das equipes”, avaliou o médico ginecologista e chefe da unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hran, Marco Antônio Resende.

 

Uma das atendidas nesse período foi Daniela Batista, 40 anos. A Agência Saúde contou a história da paciente na última segunda-feira (28). No sétimo mês da gravidez, ela descobriu que estava com Covid-19. Precisou ficar um mês internada no Hran, estando intubada por oito dias. Apesar de ter tido alta em 27 de agosto, foi aconselhada a retornar ao hospital para ter sua filha, que nasceu com 39 semanas, no dia 24 de setembro.

 

A mãe Daniela curou-se da Covid-19 e a bebê Manoela nasceu saudável no Hran – Foto: Divulgação

 

“No início, quando comecei a ter os sintomas, fiquei com muito medo. Como fiquei muito grave e as minhas consultas de pré-natal foram no Hran, o médico recomendou que eu tivesse o bebê lá. Não tenho do que me queixar, porque a equipe cuidou muito bem de mim e foram muito atenciosos”, elogiou Daniela, cujo bebê ainda está em observação.

 

Ao todo, foram atendidas desde o início da pandemia 1.538 gestantes suspeitas e confirmadas no pronto-socorro da Ginecologia e Obstetrícia do Hospital da Asa Norte. Dessas, 389 foram internadas para tratamento clínico por pneumonia e ou trabalho de parto.

 

Cuidados

 

Os cuidados iniciam-se na chegada das pacientes, que são separadas entre aquelas que estão com suspeitas e as que já confirmaram a doença. Todas passam por tomografia para verificar a situação dos pulmões. Durante o tempo de internação das gestantes, são realizados exames que verificam a vitalidade fetal com mais frequência para evitar ou diagnosticar o sofrimento fetal, como a ecografia e a cardiotocografia.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

 

Como era uma doença desconhecida no início da pandemia, não foi fácil adaptar-se às mudanças, como lembra o chefe da unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hran.

 

“Houve mudanças grandes em relação à rotina de exames e atendimentos. Mais de 90% dos pacientes já fazem tomografia e exames laboratoriais. Após o resultado, são avaliados quanto a possibilidade de internação, com algumas adaptações para as gestantes, com relação a exames, medicamentos e tempo de tratamento”, informou o médico.

 

Mudanças

 

Foi criada, no Centro Obstétrico, uma sala com respirador e equipamentos para intubação das pacientes. Quando a atendida passa por esse procedimento ela é encaminhada para o box de emergência ou para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para receber os cuidados necessários, sendo encaminhada para a maternidade após melhora e alta dessas unidades.

 

No Hran existe, hoje, um grupo só para realizar o procedimento de intubação, que é acionado diante de qualquer intercorrência, com o atendimento sendo imediato.

 

Na maternidade as puérperas também se encontram separadas em suspeitas e confirmadas. Quando o exame apresenta resultado negativo, a paciente retorna para a Região de Saúde de origem.

 

As pacientes que tiveram resultado positivo continuam sendo atendidas no ambulatório específico e, à medida que elas vão evoluindo, voltam para as unidades básicas mais próximas.

 

“A qualidade do atendimento mostrou-se muito boa. Além disso, nossa expectativa foi superada em relação ao engajamento da equipe e o nível do serviço, com o entrosamento maior entre os profissionais. Tudo isso trouxe resultados muito positivos”, ressaltou Marco Antônio Resende.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO