Governo do Distrito Federal
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30/01/17 às 12h08 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Núcleo de Farmácia Clínica auxilia o uso racional de medicamentos

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Implementado em 11 hospitais da rede há um ano, o serviço já colhe bons resultados

BRASÍLIA (30/1/17) – Há cerca de um ano, a Secretaria de Saúde começou a implementar na rede os núcleos de Farmácia Clínica. Com isso, farmacêuticos passaram a atuar diretamente com a equipe multiprofissional em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), auxiliando em assuntos que envolvam o uso seguro e consciente de medicamentos. Desde então, já foram feitas 4,5 mil intervenções e 18 mil análises de prescrições de pacientes internados, com taxa de aceitação de 90% dos profissionais envolvidos.

“As intervenções dos farmacêuticos clínicos focam a melhoria do uso do medicamento. Pelo menos 20% dessas intervenções também proporcionam uma economia financeira direta”, destaca o responsável pela Farmácia Clínica da secretaria, Lucas Magedanz.

Atualmente, os hospitais de Base, Materno Infantil, Asa Norte, Gama, Taguatinga, Ceilândia, Santa Maria, Samambaia, Planaltina, Guará e Apoio já contam com o Núcleo de Farmácia Clínica atuando em conjunto com as equipes assistenciais. “Esperamos que até o final deste ano, todos os 16 hospitais da rede estejam atuando com esse segmento. E em breve pretendemos começar a implementar também a nível ambulatorial, acompanhando pacientes não internados”, explica Magedanz.

Entre as atividades desenvolvidas por este profissional estão: avaliar doses e indicação de medicamentos conforme protocolos, além de horários e interações entre medicamentos e alimentos. Também faz avaliação da estabilidade e reconstituição de medicamentos injetáveis.

PIONEIRO– Um dos primeiros locais a implementar o núcleo na rede foi o Hospital de Base. Por lá, seis farmacêuticos colaboram com o serviço na unidade de neurocardio do Pronto Socorro, nas UTIs adultos e pediátrica e na oncohematologia. Em breve também terá acompanhamento de pacientes internados na cardiologia.

“Antes do núcleo, os farmacêuticos ficavam apenas na dispensação. Agora, saímos de dentro da farmácia para acompanhar o paciente de perto”, ressalta a responsável pelo serviço no HBDF, Nathalia Lobão. Ela cita diversos benefícios alcançados, entre eles a economia, já que esse acompanhamento permite melhor utilização das doses de medicamentos, e também uma melhora no quadro clínico de alguns pacientes.

“Acompanhando o histórico de cada pessoa, é possível identificar que um medicamento talvez seja melhor para o tratamento dele do que outro. Também é possível fazer substituições em casos de falta de algum remédio, sem prejuízo ao tratamento”, explica.

Com o sucesso do serviço, médicos já procuram o Núcleo de Farmácia Clínica para trocar informações e sugerir o melhor tratamento. “Escolhendo o melhor medicamento, podemos, por exemplo, diminuir os efeitos adversos. Então, essa parceria do médico com o farmacêutico é fundamental”, observa o médico Marcelo Silva.

A novidade também é vista com bons olhos pela enfermeira Adla Nogueira. “Depois que o serviço foi implantado no Base, aumentou o controle de medicação, evitando desperdício e também minimizando possibilidade de erros, como em dosagens”, exemplifica.

A média de atendimento em novembro do ano passado, último dado disponível, cerca de 800 pacientes foram acompanhados no Hospital de Base. A unidade é a única até agora a contar, ainda, com o acompanhamento na farmácia ambulatorial. “Escolhemos um grupo para ser acompanhado, o de pacientes com leucemia mieloide crônica, como projeto piloto, e tem dado certo. Os pacientes já nos procuram para tirar dúvidas”, comemora a responsável por este acompanhamento, a farmacêutica Cristina Menezes.

Ela conta que o paciente passa pela consulta ambulatorial e logo depois vai até ela para ouvir orientações, tais como a melhor forma de armazenar o medicamento, qual melhor horário para tomar de modo a aumentar a eficácia e se conscientizar sobre a co-responsabilidade para que o tratamento dê certo. “Muitos já vieram a mim para dizer que uma simples mudança no horário de tomar a medicação evitou efeitos como dores no estômago”, diz.

ANTIBIÓTICOS – A necessidade de implementação dos núcleos de farmácia clínica surgiu a partir da publicação do Plano de Enfrentamento da Resistência Bacteriana nas áreas críticas dos hospitais da rede pública de 2015. O ponto chave era verificar o uso correto dos antibióticos.

Nesse sentido, o Hospital Materno Infantil, que faz o acompanhamento com farmacêutico clínico nas UTIs da maternidade e da pediatria, atua junto ao Núcleo de Infecção Hospitalar. “A gente sinaliza ao infectologista. Às vezes o antibiótico que está sendo utilizado tem um espectro maior do que a necessidade do paciente e daí orientamos a rever”, frisa a farmacêutica responsável pelo núcleo na unidade, Luana Galvão.

PESQUISA – O serviço de farmácia clínica foi regulamentado pela RDC 585, em 2015. Ele pode ser exercido por qualquer farmacêutico, porém tem especializações para capacitar melhor esse profissional. “Em 2015 fizemos dois módulos de capacitação com os farmacêuticos que irão atuar nessa área na rede”, lembra Lucas Magedanz.

Para avaliar este um ano de serviço e na busca de qualificá-lo ainda mais, a Diretoria de Assistência Farmacêutica está promovendo uma pesquisa de opinião junto a médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem e demais profissionais assistenciais da rede, desde 15 de janeiro. Quem quiser responder ao questionário, até o dia 15 de fevereiro poderá acessar o link https://goo.gl/forms/AoS7jnFNFVGVe3ji2.

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