Governo do Distrito Federal
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31/01/18 às 15h36 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

População pode ajudar a manter índice zero de Doença de Chagas

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Orientação é que, ao achar o inseto transmissor, morador capture e entregue à vigilância

BRASÍLIA (31/1/18) – Ele adora o tempinho de chuva, prefere área de cerrado e se alimenta de sangue. É facilmente confundido com uma barata, mas é o barbeiro, vetor da doença de Chagas, e está presente também na área urbana. Apesar do DF nunca ter registrado caso de transmissão vetorial, a Secretaria de Saúde tem trabalhado no controle de infestação do inseto para manter o índice zero.

A metodologia é a vigilância passiva, onde os insetos suspeitos são enviados para a Diretorial de Vigilância Ambiental (Dival), pela população, para confirmação se são ou não barbeiros. Essa ação é preconizada em âmbito nacional, onde há baixa densidade/infestação e infecção natural dos vetores da doença de Chagas.

“Os hábitos noturnos deles dificultam muito as buscas ativas (inspeções nas casas) pelos agentes de saúde durante o dia, pois eles se escondem e são difíceis de serem detectados em baixa densidade. Como saem à noite, são mais facilmente encontrados pelos moradores, sendo essa a melhor estratégia para detectá-los”, observa a bióloga da Dival, Vilma Ramos Feitosa.

Segundo a bióloga, as constantes alterações no ambiente natural, provocadas pelo homem, tanto na agricultura como em ocupações para moradias, têm acarretado desequilíbrios no ecossistema, levando às modificações de comportamento dos barbeiros, aproximando-os cada vez mais das residências humanas na busca por alimento.

“Constata-se que no desmatamento e nas queimadas, típicas das épocas de seca no DF, há o rareamento dos animais silvestres, que são suas fontes naturais de alimentação, e para sua sobrevivência, buscam outras, como os animais domésticos e o homem, invadindo as habitações humanas”, observa. Um exemplo disso foram recentes casos de barbeiros encontrados em Águas Claras, região próxima a um parque ecológico.

As condições do domicílio são fundamentais para que os barbeiros encontrem ambientes favoráveis para sobrevivência. Frestas em paredes, assoalho ou forro, buracos, entulhos encostados em paredes, atrás de quadros, embaixo de colchões e travesseiros, términos de paredes com sancas que permitam locais escuros e de esconderijos são ambientes ideais para abrigar o inseto. Camas de cachorros e de gatos, gaiolas de pássaros e de roedores, galinheiros e chiqueiros, enfim locais de criação de animais tanto por hobby como comercialmente, em casas ou apartamentos, também são habitat para o barbeiro.

No DF, entre janeiro e novembro de 2017, foram identificados pouco mais de 600 barbeiros nas regiões do Park Way, Paranoá, Planaltina, Vicente Pires, Águas Claras e Jardim Botânico. “A maioria, porém, foi em Vicente Pires e Park Way, regiões que eram de chácaras e ainda há moradias que preservam essas características”, destaca Vilma.

IDENTIFICAÇÃO – Segundo a Diretoria de Vigilância Ambiental, a parceria com a população para qualquer inseto suspeito é fundamental desde a sua coleta até o encaminhamento aos Postos de Informação de Triatomíneos (PIT) ou órgãos da Vigilância Ambiental em Saúde, para confirmação se são os triatomíneos ou não e o desenvolvimento das ações complementares. Os postos estão em 15 núcleos de vigilância ambiental e em mais 65 unidades rurais em escolas e postos de saúde.

“Na dúvida do tipo de inseto que entrou na sua casa, às vezes confundido com uma barata, indica-se não matar, mas se proteger e pegá-lo. Capturar o inseto e coletá-lo em um recipiente com cuidado para não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto. Não tocar diretamente nele, mas enluvar bem a mão com saco plástico ou similar; e/ou acondicioná-lo diretamente em recipientes plásticos ou de vidro, fechando bem a tampa para evitar fuga”, orienta Vilma Ramos.

O recipiente onde será colocado o inseto coletado deverá ter as seguintes informações: data em que o inseto foi coletado; endereço completo do lugar em que foi recolhido; local de captura; telefone para contato e nome do responsável. “Se tiverem mais de dois insetos coletados em ambientes diferentes, um dentro e outro fora de casa, deverão ser acondicionados separadamente”, ressalta a bióloga.

Na prática da vigilância aos triatomíneos, os agentes de saúde realizam itinerários diários de visita aos PIT ou atendem denúncias da população para recolher os insetos suspeitos e encaminhá-los ao laboratório (Dival). “Se confirmado, o triatomíneo é classificado de acordo com a espécie e examinado para positividade ou não do protozoário Tripanosoma cruzi (agente patológico da Doença de Chagas)”, diz a bióloga.

Após a identificação do triatomíneo, os agentes de saúde retornam ao domicílio e realizam pesquisa minuciosa, em todos os cômodos da casa, tanto dentro de casa como no quintal. Se necessário, é feito agendamento de visita para a borrifação com inseticida.

DOENÇA DE CHAGAS – O barbeiro é o inseto transmissor da Doença de Chagas. A transmissão aos humanos é possível após o barbeiro defecar/urinar, no momento de alimentar-se de sangue, eliminando os parasitas na pele da pessoa, onde provoca uma reação alérgica, com coceira, facilitando a entrada na corrente sanguínea. “Para haver a contaminação são necessárias mais de cinquenta picadas e defecadas de barbeiros infectados”, detalha Vilma.

O local poderá apresentar uma reação da picada e ser visível, com uma mancha avermelhada chamada chagoma de inoculação (pernas, braços, rosto ou outros) ou próximo aos olhos, conhecida como sinal de Romaña.

“O risco da transmissão do protozoário pelo barbeiro aos moradores do DF não é automático. Exige mais que a presença de um único exemplar no domicílio, e depende de sua capacidade de se procriar dentro de casa e, além de estar infectado com o parasita T. cruzi. Vale ressaltar que, historicamente no DF, até então, não foram identificadas colonizações intradomiciliares”, explica Vilma.

Confira a galeria de fotos.

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