Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
28/07/16 às 18h07 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

Portadores de necessidades especiais têm atendimento odontológico especializado

COMPARTILHAR

HMIB é a unidade de referência na rede de saúde do DF

BRASÍLIA (28/7/16) – Com o lançamento das Clínicas de Especialidades Odontológicas pelo programa do governo federal, Brasil Sorridente, e o apoio do Programa de Saúde para os Portadores de Necessidades Especiais (PNEs), desde 2013, o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) se tornou referência no atendimento odontológico de crianças e adultos com necessidades especiais.

O diretor do hospital, Rodolfo Alves Paulo de Souza, explica que o programa atende em média 8 pacientes por dia e, atualmente, oferece tratamento odontológico especializado e multidisciplinar a 243 pacientes que apresentam síndromes, paralisias cerebrais, déficit cognitivo e problemas de saúde mental que não conseguem atendimento nas Unidades de Saúde. Os interessados devem procurar as Unidades de Saúde que farão o encaminhamento para a o centro especializado.

Segundo a chefe da Unidade de Odontologia do HMIB, Teresa Paula Vieira, a maior demanda é de pacientes com autismo e outros transtornos globais de desenvolvimento. “Geralmente são crianças que tomam muita medicação desde de pequena e como as medicações infantis possuem muito açúcar, acabam propiciando o aparecimento de cáries”, explica a especialista.

Segundo a dentista Fabiana Maria Montandon, especialista no assunto, esse tipo de paciente muitas vezes não permite o atendimento na cadeira, portanto, o maior desafio é gerenciar o comportamento para conseguir efetivar o tratamento. A equipe utiliza vários recursos. É feito acolhimento com o paciente e família, explicando e mostrando os materiais antes de fazer o procedimento. Recursos lúdicos como bichos de pelúcia também são utilizados e em casos mais difíceis, é feita a anestesia geral.

“Muitas pessoas já nutrem uma ansiedade e um medo por dentista naturalmente, então essa talvez seja a primeira barreira a ser rompida. É preciso ter paciência e muito carinho para conseguir fazer um bom atendimento. O uso da anestesia foi uma conquista importante após uma batalha para estruturar o centro cirúrgico e torná-lo apto a realizar procedimentos odontológicos”, completa a especialista.

Para Fabiana as dificuldades são vencidas por causa da grande gratificação. “Desde a faculdade essa área me escolheu. Lembro de uma vez que foi muito recompensador quando consegui terminar o tratamento de um autista e ganhei um abraço. A mãe chorando me disse que era a primeira vez que ele abraçava alguém”.

PREVENÇÃO – A dentista aponta ainda para a importância da prevenção e de um trabalho de maior de parceria entre as Unidades de Saúde, pediatras, psiquiatras e neurologistas. A odontologia geralmente é a porta de entrada para os cuidados com a saúde de forma mais global para esses pacientes. Como é feito um tratamento transdisciplinar, a equipe além do tratamento odontológico, identifica outros problemas e encaminha para outras especialidades. Um diagnóstico precoce das doenças ajuda no trabalho de prevenção.

REALIDADE BRASILEIRA – Segundo Montandon, o número de especialistas na área ainda é reduzido. No DF de 6.932 dentistas inscritos e ativos, apenas 10 possuem essa especialização. No Brasil são apenas 583 profissionais capacitados para atender essa demanda especifica.


Leia também...