Governo do Distrito Federal
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20/08/20 às 15h00 - Atualizado em 20/08/20 às 17h43

Previna-se contra o rotavírus com a vacina disponível nas UBSs

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Imunização está disponível na rotina de todas as unidades básicas de saúde

 

LEANDRO CIPRIANO, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

O rotavírus é um dos principais agentes virais causadores das doenças diarreicas agudas (DDA) e uma das mais importantes causas de diarreia grave em crianças menores de cinco anos no mundo, particularmente nos países em desenvolvimento. A doença também é responsável por ocasionar surtos em pré-escolas, berçários, creches e hospitais.

 

Arte: Rafael Ottoni

Para proteger os pequenos desse vírus, a Secretaria de Saúde disponibiliza na rotina de todas as unidades básicas de saúde (UBS) a vacina que previne a doença diarreica causada pelo rotavírus. A proteção, aplicada de forma oral, faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde.

 

O esquema de vacinação funciona assim: duas doses devem ser dadas, a primeira aos dois meses de idade e a segunda aos quatro meses. Mas também é permitido que a primeira dose seja aplicada a partir de um mês e 15 dias até três meses e 15 dias. Já a segunda dose pode ser dada a partir de três meses e 15 dias, até os sete meses e 29 dias de idade. O intervalo mínimo entre cada uma deve ser de 30 dias.

 

“Lembrando que não se deve administrar a segunda dose da vacina sem ter aplicado a primeira antes. Se a criança regurgitar, cuspir ou vomitar após a vacinação, não é preciso repetir a dose. Ressaltando que a vacina protege pelo resto da vida contra quatro tipos de vírus do rotavírus, que são os que mais provocam doenças nas crianças”, explica Rosa Maria Mossri, enfermeira da área técnica das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar.

 

Cobertura vacinal

 

A vacinação é essencial, uma vez que a cobertura vacinal tem diminuído ao longo dos anos no Distrito Federal. Em 2017 foi de 86,9%, em 2018 chegou a 86% e em 2019 alcançou 84,2%. Sendo que a meta preconizada pelo Programa Nacional de Vacinação é de 90%.

 

Vacina contra o rotavírus está disponível em todas as salas de vacina do DF – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

Enquanto isso, quando se trata de doença diarreica aguda, os números demonstram uma expressiva quantidade de casos no DF. Entre 2017 e 2019, foram atendidas nas unidades de saúde da rede pública 26.702 crianças menores de cinco anos. Esses dados são inseridos semanalmente no Sistema de Informação de Vigilância das Doenças Diarreicas Aguda (Sivep-DDA) pelas equipes da vigilância epidemiológica hospitalar e das regiões de saúde.

 

Apesar disso, de 2017 a 2019 foram notificados apenas nove casos suspeitos de rotavírus, sendo que apenas três foram confirmados, demonstrando que há uma subnotificação no Distrito Federal. Por isso, é recomendado que em casos de diarreia aguda em crianças menores de cinco anos sejam coletadas amostras de fezes para análise e diagnóstico.

 

Transmissão

 

O rotavírus é eliminado em grande quantidade pelas fezes do doente, sendo a transmissão pela via fecal-oral ou provavelmente por contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. A água e os alimentos contaminados também podem ser fontes de transmissão do rotavírus.

 

O intervalo entre a contaminação e o aparecimento da doença varia de um a dois dias.

 

Sintomas

 

Os principais sinais e sintomas da doença são:

 

– Diarreia abundante (de três a oito dias);
– Vômitos;
– Febre alta;
– Dores abdominais.

 

Além disso, uma das complicações da doença é a desidratação grave, que se não for tratada de forma precoce e adequada pode ser fatal.

 

O que fazer quando aparecerem os sintomas?

 

Segundo a enfermeira da área técnica, Rosa Maria Mossri, quando os sintomas aparecerem o paciente deve procurar o quanto antes a unidade básica de saúde mais próxima de sua residência.

 

“O tratamento deve ser orientado por um profissional da área da saúde. Também é importante oferecer o soro de reidratação oral, água, chás, sucos, água de coco aos poucos em colher ou copo. Além disso, evitar a administração dos líquidos com mamadeira”, ressaltou a especialista.

 

Outra dica é com relação à alimentação da criança, que não deve ser interrompida. Ela precisa ser mantida e oferecida habitualmente, com os intervalos menores entre as refeições. As porções dos alimentos deverão ser menores, dando preferência aos de maior aceitação pela criança.

 

“Para as crianças que estão sendo amamentadas, é necessário que a mãe amamente mais vezes, durante o período de diarreia. A amamentação é a forma mais adequada para evitar a desidratação nas crianças pequenas”, destacou Rosa Maria Mossri.

 

Medidas preventivas

 

Confira algumas medidas preventivas para evitar a contaminação pelo rotavírus:

 

– Desprezar adequadamente as fezes ou fraldas contendo material fecal;

– Lavar as mãos antes de preparar os alimentos, antes das refeições, antes e após a troca de fraldas das crianças e antes e após usar o banheiro;

– Lavar e ferver as mamadeiras e chupetas/bicos antes do uso;

– Tratar toda água para consumo humano com hipoclorito de sódio a 2,5% (duas gotas para cada litro de água – deixar em repouso por 30 minutos antes do uso) ou com fervura, onde não exista sistema público de tratamento de água;

– Guardar a água tratada em vasilhas limpas e tampadas;

– Manter as superfícies da cozinha sempre limpas;

– Lavar e desinfetar os alimentos crus, como as verduras e hortaliças com solução de hipoclorito de sódio a 2,5% durante 30 minutos (uma colher de sopa para cada litro de água);

– Cozinhar bem os alimentos;

– Guardar os alimentos cozidos separados dos alimentos crus;

– Manter o lixo em locais próprios e bem fechados;

– Incentivar o aleitamento materno, principalmente durante os primeiros seis meses de vida. Isso aumenta a resistência das crianças contra doenças, inclusive as diarreias agudas.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO