Governo do Distrito Federal
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27/11/12 às 17h10 - Atualizado em 30/10/18 às 14h57

Programa de rastreamento vai reduzir novos casos de câncer no DF

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Mulheres com lesões suspeitas são convocadas para tratamento

A Secretaria de Saúde do DF oferece diagnóstico precoce para câncer de colo do útero e de mama por meio de programas de rastreamento – exame papanicolau e mamografia. A rede, recentemente, passou a chamar todas as mulheres com lesões suspeitas para tratamento especializado. “Esse programa vai mudar a história do câncer feminino no Distrito Federal”, afirma a coordenadora de Câncer da SES, Cristina Scandiuzzi.

O diferencial está no tratamento de câncer de colo de útero. Desde outubro, as mulheres que apresentam alterações no exame preventivo (Papanicolau) estão sendo procuradas pela rede de saúde e encaminhadas para uma consulta médica especializada. “No próprio consultório, essas pacientes passam por procedimento que, na maioria dos casos, impede que as lesões progridam”. Essa consulta ocorre em no máximo 20 dias após a coleta do exame. Assim, espera-se uma redução drástica na mortalidade nos próximos três anos. “A expectativa é que a gente não tenha mais óbitos desse tipo”, ressalta a médica.

27 de novembro é lembrado como Dia Nacional de Combate ao Câncer e também o
Dia Nacional de Luta contra o Câncer de Mama. Atualmente existem cerca de 5 mil pessoas em tratamento contra o câncer no Distrito Federal. São 2.734 fazendo quimioterapia e 1.600 passando por radioterapia. Outros 2.449 são submetidos à hormonioterapia. Muitos pacientes fazem mais de um tratamento.

Para o câncer de mama, a SES-DF está organizando a rede para ampliar a assistência. “Vamos regular as consultas com médicos especialistas a partir de alterações registradas pela mamografia ou exames clínicos”, ressalta Cristina Scandiuzzi. Com isso, as pacientes terão prioridades no agendamento de consultas.

De acordo com ela, a secretaria dispõe atualmente de nove mamógrafos na rede pública e ainda oferece os serviços da Unidade Móvel de saúde da Mulher que, deste março realizou cerca de 8 mil exames. No mesmo período, a “Carreta da Mulher” também fez preventivos e ecografias, totalizando 25 mil procedimentos em 15 localidades do DF.

Os tratamentos contra o câncer envolvendo radioterapia e quimioterapia são oferecidos no Hospital de Base, no Hospital Regional de Taguatinga e no Hospital Universitário. Outros hospitais regionais realizam cirurgias oncológicas. Atualmente não existe espera para iniciar radioterapia, porém para quimioterapia, é preciso aguardar cerca de 30 dias para marcar a primeira consulta. Há 240 pacientes em espera para iniciar a quimioterapia.

O Ministério da Saúde recomenda que as mulheres entre 25 e 64 anos devem ser submetidas ao exame preventivo do câncer de colo de útero. Os médicos alertam, porém, que esse exame deve ser feito quando a mulher inicia sua vida sexual, independente da idade. “Esse tipo de tumor é altamente relacionado ao HPV (papiloma vírus humano), que é transmitido sexualmente”, enfatiza Cristina.

Ampliação do tratamento

No próximo ano, a SES prevê melhorias no tratamento do câncer. Dois novos aceleradores lineares (para Radioterapia) serão incorporados à rede. Um deles tem sistema de planejamento tridimensional, o que torna o tratamento mais preciso. Também será adquirido um equipamento de braquiterapia – uma forma de radioterapia na qual a fonte de radiação é colocada no interior ou próxima ao corpo do paciente que trata o câncer de útero ou próstata -, além de um mamótomo, que faz biopsia de lesões da mama com anestesia local.

A quimioterapia também está recebendo investimentos. Após reformas no Hospital de Base o serviço, que foi transferido temporariamente para o HRT, retorna ao seu local de origem. Um novo serviço está sendo implantado em Taguatinga com 20 novas vagas. Para funcionar plenamente, entretanto, serão necessárias obras de adequação na farmácia do hospital, para possibilitar a diluição dos medicamentos utilizados no procedimento.

Número de casos

Estimativas para o ano de 2012 de número de casos novos de câncer, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), apontam que os tumores mais prevalentes no DF são o de pele não melanoma (2.570), seguido pelo de próstata, com 900 casos. Em terceiro lugar aparece o de mama com 880 casos, em seguida vem o de colo de útero (330) e o de pulmão e traqueia, com 320 casos ao longo do ano.

O câncer da mama é o que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Cerca de 1,4 milhões de casos novos dessa neoplasia foram esperados para o ano de 2008 em todo o mundo, o que representa 23% de todos os tipos de câncer.

O câncer do colo do útero é um importante problema de saúde pública no mundo. As mais recentes estimativas mundiais apontam 529 mil casos novos desse câncer em mulheres para o ano de 2008, configurando-se o terceiro tipo de tumor mais comum entre as mulheres. Sua incidência é cerca de duas vezes maior em países menos desenvolvidos quando comparada aos países mais desenvolvidos.

Celi Gomes