Governo do Distrito Federal
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8/03/18 às 10h46 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Saúde: a secretaria das mulheres

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Maioria na força de trabalho da pasta, elas também dominam os cargos de chefia

BRASÍLIA (8/3/18) – Numa área em que é preciso equilibrar-se entre a sensibilidade para atender o ser humano em situação delicada e a firmeza para lidar até com a morte, as mulheres estão na linha de frente e comandam a Saúde Pública do Distrito Federal. Dos 33.271 servidores da pasta, cerca de 70% são do sexo feminino.

Não bastasse serem maioria na força de trabalho, são também elas que estão à frente da maior parte das gerências, diretorias, superintendências e subsecretarias da pasta. E o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, garante: não há nenhuma política de cotas neste caso. “Acontece simplesmente porque elas são os gestores mais competentes que poderíamos selecionar”, destaca, lembrando que as diretorias da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), bem como da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) e do Hemocentro também são ocupadas por mulheres. 

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Das sete subsecretarias da Saúde, cinco têm mulheres na chefia. Nas regiões, mesma proporção: cinco superintendentes femininas contra dois homens; elas também são maioria nas diretorias de Atenção Primária à Saúde: ocupam cinco dos sete cargos. Embora com uma vantagem menos expressiva, as mulheres se mantém majoritárias na direção dos hospitais: oito das 15 unidades são comandadas por elas. Além disso, metade da diretoria executiva do Instituto Hospital de Base é constituída por mulheres.

Diante desse quadro, nada mais digno de ser lembrado, e homenageado, neste Dia Internacional da Mulher. Como exemplo das histórias de vida, recheadas de garra e determinação, contamos a trajetória de três mulheres, que podem espelhar a vivência das servidores da pasta.

DE TÉCNICA A SUBSECRETÁRIA – Entre as mulheres de pulso firme da Saúde está a subsecretária de Infraestrutura e Serviço (Sinfra), Liliane Menegotto. Graduada em letras, em 2013, foi aprovada no concurso da Secretaria de Saúde para o cargo de técnico administrativo.

Em apenas cinco anos, traçou uma trajetória incomum: ocupou funções de assessora de diretor de hospital, coordenou projeto criado por ela – uma central de marcação de consulta e sistema de regulação de exames não regulados na Região de Saúde Norte -, virou diretora administrativa na mesma região até ser convidada, há um ano, para ocupar o cargo atual.

Quando vai elencar os motivos para a escalada de sucesso, ela coloca Deus em primeiro lugar e segue: “sou persistente, dinâmica e no meu vocabulário não existem as palavras 'nunca' e 'não'. Eu sempre acho que tudo vai dar certo”, destaca.

Na opinião dela, por estarem habituadas a jornadas duplas, provavelmente as mulheres se dão bem em cargos de grande responsabilidade. “Tenho dois filhos, um de 7 anos e outro de 10 anos e, apesar de chegar em casa tão cansada quanto o meu esposo, as demandas maiores são sempre para mim”, brinca, ressaltando que pela Saúde trabalha, diariamente, pelo menos 10 horas. “Sem contar os despachos que ainda faço de casa”, destaca.

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A Sinfra, subsecretaria de Menegotto, é a que possui o maior orçamento da pasta, com o maior número de contratos. Tudo que diz respeito a obras, contratos de manutenção predial e de equipamentos, serviços de limpeza e vigilância e projetos estão sob o comando dela. São 168 servidores sob sua gestão, grande parte do sexo masculino.

SEM DESCER DO SALTO – Dois hospitais regionais, 32 Unidades Básicas de Saúde, cinco centros de Atenção Psicossocial, um policlínica, uma unidade de acolhimento, uma unidade de saúde funcional, duas Unidades de Pronto Atendimento, além de um centro radiológico e um especializado em reabilitação. Cansou só de ler? Pois bem! Tudo isso faz parte da Região de Saúde Sudoeste, liderada pela superintendente Lucilene Florêncio.

Ao todo, são cinco mil servidores ligados à sua superintendência. “A equipe vem como parceira. Sempre me aproximando de todos, estabelecendo uma linha de lateralidade, sem imposições. Se não for dessa forma, não é possível fazer gestão”, destaca.

Entre reuniões, administração de conflitos e planejamentos para levar o melhor para a população, Lucilene não desce do salto. Está sempre bem vestida, maquiada e com um sorriso no rosto. “Eu cuido de todos, mas sem descuidar de mim. Procuro me manter doce, porém, firme quando necessário, mostrando à equipe que é preciso cumprir metas e respeitar prazos para que possamos conduzir a maior região de saúde do DF”, diz.

Antes de chegar à superintendência, Lucilene Florêncio adquiriu experiência em gestão ao longo dos seus 19 anos na Secretaria de Saúde. Foi gerente de centro de saúde, diretora no Hospital Regional do Gama, coordenadora de regional e do Programa de Política Nacional de Humanização, além de programas da atenção primária. Também passou pela gerência da UPA do Núcleo Bandeirante, onde ficou por dois anos. Tudo isso sem deixar a assistência de lado.

Como ginecologista, já fez atendimento na atenção primária e hoje ainda cumpre parte de sua carga horária na chefia de equipe no Hospital Regional da Asa Norte, onde já atuou como obstetra.

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“Saber administrar o tempo é muito importante. Sei tudo que tenho de fazer naquele dia e vou seguindo, administrando o tempo e sempre motivada, acreditando que é possível melhorar, que sou responsável pela saúde da população do DF e tenho de dar minha contribuição para que ela se torne cada dia melhor”, diz Lucilene, que é mãe de um estudante de medicina.

MULHER MARAVILHA – Para algumas mulheres, o dia parece ter mais de 24 horas. Só assim para caber tantos compromissos. Sempre foi assim com a ortopedista, mãe e diretora do Hospital Regional de Sobradinho, Cláudia Gomes dos Reis. O primeiro filho, hoje com 24 anos, nasceu enquanto ela cursava medicina.

“Quando ele tinha cinco anos, comecei minha residência, cumprindo mais de 70 horas semanais. Depois, trabalhando como plantonista, engravidei da segunda filha. Grávida, trabalhava sozinha no pronto-socorro, amamentando e fazendo plantões de 12 horas por dia”, relembra a ortopedista.

Na direção do hospital, ela usa da habilidade de mãe e mulher para administrar tudo que chega ao gabinete. “A gente acaba sendo amiga dos colegas de trabalho, psicóloga, tendo de conciliar os interesses de todo mundo. Há pessoas que entram para reclamar, chorar, pedir. Sempre me coloco no lugar dos outros, principalmente das mulheres, que são maioria nas chefias aqui, pois sei que elas têm as demandas daqui e também de casa, como filhos e marido”, ressalta Claudia.

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A médica aprendeu a lidar com a “dureza” da vida desde cedo. Enquanto fazia faculdade de medicina, trabalhou no laboratório da Universidade de Brasília para ajudar nas despesas da família.

A residência escolhida, ortopedia, era mais comum ao universo masculino. “Causava estranheza até mesmo entre os pacientes. A preocupação era se eu daria conta de fazer força. Realmente precisa estar disposta a fazer força, porém, o que determina é a técnica. Com o tempo, todos foram aceitando bem”, conta.

Deu-se tão bem na área, que virou chefe da ortopedia de Planaltina pouco tempo depois. Passou, ainda, pela gerência da emergência do Hospital de Sobradinho e, em 2016, assumiu a direção da unidade. “Na gestão, é preciso ser forte, ter pulso firme, estar disposto a receber críticas, principalmente sendo mulher”, finaliza.

Na unidade, cerca de 2,2 mil profissionais estão sob o comando dela. Quase todas as chefias do hospital estão nas mãos de mulheres. Das cinco gerências, somente uma tem homem à frente.

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