Governo do Distrito Federal
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17/11/14 às 13h37 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Saúde integra musicoterapia ao tratamento de doenças

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Mais de 150 pacientes são beneficiadas com essa iniciativa na rede

BRASÍLIA (17/11/14) – Musicoterapia é uma técnica que utiliza sons, ritmo e melodia para promover expressão, relacionamento e, de uma forma geral, a saúde. A Secretaria de Saúde utiliza essa técnica em alguns tratamentos do Hospital da Criança de Brasília (HCB) e também promove oficinas de músicas nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

No HCB, mais de 150 crianças com diversas patologias neuromotoras e de reabilitação participam da musicoterapia em grupo ou individualmente, através de encaminhamento médico.

“Os especialistas que acompanham crianças com problemas neurológicos e com síndromes diversas acabam encaminhando esses pacientes para a musicoterapia. A música é o que permite uma aproximação e abre uma porta direto no coração delas. É assim que consigo entender mais o seu mundo”, explicou o musicoterapeuta do HCB, Cláudio Vinícius Froes Fialho.

Formado em Composição pela Universidade de Brasília, Vinícius conta que está envolvido no universo musical desde criança, mas seu primeiro contato com a musicoterapia foi recente.

“Desde criança faço música. Me formei em Composição e fiz o curso de musicoterapia em 2005 para agregar valor ao meu trabalho, e logo estava estagiando no Hospital de Apoio. Depois passei um ano no hospital de Base fazendo atendimentos breves nas enfermarias e UTI's e há dois estou no HCB”, lembrou.

Foi a Síndrome de Cri-Du-Chat (Síndrome do Miado de Gato) que levou Lívia, de apenas sete anos, a participar das sessões de musicoterapira no HCB. A menina já nasceu com essa anomalia cromossômica que atrofia os membros e provoca retardamento neuromotor e mental. Foi por esse motivo que o médico que a acompanha optou por agregar a técnica na rotina da criança.

“A minha filha era atendida por um geneticista no HMIB, mas há dois anos recebe a assistência neurológica e odontológica aqui no Hospital da Criança. O médico dela indicou a musicoterapia para ajudar no tratamento e também para controlar a agitação e o nervosismo da minha filha”, explicou Delcileide Alves, mãe de Lívia.

TRATAMENTO – A inicialização com musicoterapia é por indicação médica. A maioria é de demandas neurológicas como autismo, síndromes, distúrbio do aprendizado e reabilitações diversas. É através de uma conversa com os familiares que o musicoterapeuta identifica a melhor forma de abordagem.

“Eu faço o acolhimento para identificar a queixa da família e fazer contato com a criança, independente de qual especialidade está demandando. Faço blocos de três atendimentos semanais que chamo de avaliação em musicoterapia. Aplico algumas tabelas de resultados e de característica como: contato com terapeuta, expressividade, capacidade de formar vínculo através do som e da música”, disse.

Todos os pacientes são atendidos por agendamento prévio com sessões individuais, ou em grupo, durante 45 minutos. “Na avaliação já visualizo os pacientes com problemas semelhantes, então procuro colocá-los no mesmo grupo para atendê-los melhor”, acrescentou o musicoterapeuta.

Os pacientes internados nos ambulatórios de oncologia e hematologia do HCB também são atendidos. “Como são pacientes com risco de morte ou que sofrem com dores intensas procuro dar prioridade. Também faço parceria com músicos voluntários e as apresentações acontecem dentro das enfermarias”, finalizou.

Os instrumentos utilizados na técnica são piano, teclado, contra-baixo, violino, marimba de vidro, percussões diversas, violões, tubos sonoros e Mesa Lira.

Caps – A Secretaria de Saúde conta com 16 unidades espalhadas em todo Distrito Federal, além de um Adolescentro, para tratamento de dependentes químicos e pacientes psiquiátricos. A maioria deles tem oficinas de música para promover a ressocialização dessa parcela da população em situação vulnerável.

No Caps de Samambaia, por exemplo, tem uma média de 500 pessoas em tratamento contra álcool e drogas. Aproximadamente 15 delas participam ativamente das oficinas de música e até se colocam como voluntários, todos coordenados por uma assistente social.

“Oferecemos oficinas de músicas de maneira espontânea e participa quem se sentir à vontade. O público de pacientes é muito flutuante, mas cerca de 15 pessoas são assíduas e até ajudam os outros colegas a tocar e cantar. Elas ocupam o seu tempo, se envolvem com a música e esquecem das drogas”, destacou o gerente do CAPS de Samambaia, Ademário Britto.

Ao todo, a Secretaria de Saúde conta com oito Caps-AD (Álcool e Drogas), sendo três com atendimento 24h; cinco Caps Transtornos Mentais; um Capsi (infantil) e o Adolescentro.