Governo do Distrito Federal
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19/07/16 às 11h47 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

Secretaria de Saúde avaliou 48 suspeitas de microcefalia em 10 meses

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Ocorrências da malformação são avaliadas independentemente de sua ligação com o Zika vírus

BRASÍLIA (19/7/16) – O Comitê Técnico para o Enfrentamento das Microcefalias Relacionadas ao Vírus Zika, da Secretaria de Saúde, investigou 48 casos suspeitos de microcefalia no Distrito Federal, entre outubro do ano passado a julho de 2016. Até agora, seis casos foram confirmados, sendo que apenas um foi causado pelo Zika. A mãe contraiu o vírus no Nordeste e o recém-nascido veio a óbito poucas horas após o nascimento.

O segundo caso de malformação foi causada pelo Citomegalovírus (mesma família do vírus dos herpes e da catapora). Nos demais ainda não foi possível concluir o tipo de infecção que causou a microcefalia, mas eram sugestivos de infecção congênita.

“Nossa equipe avalia todos os casos suspeitos. A investigação é feita a partir da análise de exames de sangue, líquor e de imagem para comprovar a malformação e se ela foi causada por alguma infecção congênita”, explicou o gerente de Epidemiologia de Campo da Vigilância Epidemiológica, Rodrigo Rodrigues Miranda.

SAIBA – A microcefalia trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico menor que o normal, de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde. Ela pode ser causada por doenças genéticas ou infecciosas, exposição a substâncias tóxicas ou desnutrição e passa da mãe para o feto. Entre as infecções congênitas estão a Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes.

Criado desde fevereiro de 2016, o comitê é formando pelas áreas da Saúde da Criança, Saúde Funcional, Neonatologia, Infectologia, Serviço Social, Ginecologia, Vigilância Epidemiológica e Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Juntos, eles avaliam todos os casos de recém-nascidos com microcefalia ou outras alterações no sistema nervoso central que estejam relacionados às infecções congênitas.

FLUXO DE INVESTIGAÇÃO – O comunicado de todos os casos suspeitos devem ser comunicados pelo hospital para a equipe de Vigilância Epidemiológica por meio do Registro de Eventos de Saúde Pública (RESP), disponível neste link.

 Esta equipe encaminhará para o comitê um formulário com as informações sobre a mãe, a criança, o parto e os exames realizados durante o pré-natal. O recém-nascido deve ser submetido a exames que detectam infecções congênitas, além de testes para identificar o Zika vírus, a Dengue e a Febre Chikungunya.

“Com essas informações nós avaliamos a situação e as medidas que a equipe da vigilância epidemiológica já tomou, como a realização destes exames após o parto e a medida do perímetro cefálico”, detalha Rodrigo.

Segundo ele, os resultados dos exames descartam ou confirmam um caso notificado, já que algumas vezes a criança nasce com o perímetro encefálico igual ou menor que o padrão esperado. Após 48 horas do parto a medida se altera, o que é muito comum em parto normal.

SUPERAÇÃO – A última reunião do comitê contou com a presença de Alex Alonso, pai de um bebê de sete meses que tem microcefalia. No caso dele não foi possível identificar a etiologia da malformação. A criança teve algumas complicações após o nascimento, como a Síndrome de West, que causa epilepsia, mas mesmo diante de todas as dificuldades, Alex é só sorrisos ao falar sobre o filho. “Meu compromisso com o meu filho está acima de tudo. Eu sinto que eu preciso dele, mais do que ele de mim”, disse Alex.

“Quando meu filho nasceu não existia ainda todo este protocolo de investigação, pouco se sabia sobre esta ligação da microcefalia com o Zika vírus. Portanto, vejo o quanto este comitê é relevante, pois age rapidamente na identificação dos casos e isso é muito importante para nós, pais. Por isso aceitei o convite de vir aqui contar meu relato e poder contribuir de alguma forma ao contar os detalhes da minha experiência”, comentou Alonso.