Governo do Distrito Federal
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20/10/16 às 20h47 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Saúde recebe moções de louvor por parceria com ViraVida

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Projeto, resultado de parcerias entre a Secretaria e o Sesi, muda a vida de jovens em situação de vulnerabilidade social. 

BRASÍLIA (20/10/16) – A Secretaria de Saúde recebeu três moções de louvor, concedidas pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, pela parceria firmada com o Programa ViraVida, em prol do desenvolvimento de jovens vítimas de violência sexual. Foram reconhecidos o Adolescentro, os Centros de Atenção Psicossocial e o Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (COMPP).

“Essa moção foi muito merecida. O sucesso do programa se deve muito a esse trabalho de rede, onde contamos muito com a Secretaria de Saúde”, destaca a coordenadora do ViraVida no DF, Cida Lima. O projeto foi criado pelo Conselho Nacional do Sesi e acolhe jovens de 14 a 24 anos em contexto de extrema vulnerabilidade social, predominantemente a violência sexual.

Em resumo, a parceria permite que jovens atendidos no Programa de Atenção a Vítimas de Violência (PAV), da Secretaria de Saúde, sejam encaminhados ao ViraVida, e também que o projeto encaminhe crianças e adolescentes para atendimento nos CAP's, no Adolescentro e no COMPP.

“O Sesi e o Senai entram com a parte educacional e formação profissional e como eles não têm a assistência especializada, contam com o apoio da Secretaria de Saúde. O papel da secretaria é dar esse suporto a doenças relacionados ao uso de drogas e doenças psicológicas, dando suporte aos jovens que fazem parte de cada turma do programa”, ressalta a secretária de Saúde adjunta, Eliene Berg.

Encaminhada pelo PAV de Planaltina, Suzana*, 17 anos, está há três meses no programa. Ela foi vítima de estupro aos 12 e aos 14 anos. Da última vez, acabou engravidando e, apesar de não querer, acabou levando a gestação adiante. Hoje, diz que a ferida já cicatrizou, apesar da voz embargada ao contar o caso.

“Eu morava em Águas Lindas, mas fui morar com a minha avó, para ganhar minha filha no Hospital Regional de Planaltina, porque o atendimento era bom. Lá, me perguntaram se eu queria doar minha filha para adoção. Uma assistente social conversou comigo e acabei vindo para o ViraVida”, conta a menina, ressaltando que ficou com a filha, hoje com 1 ano e dois meses. “Ela é o meu amor, passo o tempo todo pensando nela. Acho lindo quando chego em casa e ela me chama de mamãe”, diz.

A jovem conta que em apenas três meses, o programa já mudou a vida dela. “Quando vim para cá, eu não tinha autoestima, pensava que minha vida estava acabada, que eu não poderia ser alguém na vida. Hoje já me esforço para terminar meus estudos e recebo muito apoio dos meus pais”, conta Suzana, que pensa em trabalhar para pagar os estudos e tornar-se juíza.

PROGRAMA – Em sete anos de programa, o ViraVida já atendeu quase 600 jovens. Segundo Cida Lima, 82% deles conseguiram mudar de vida. Atualmente, 70 crianças e adolescentes estão em curso no programa, que trabalha com quatro eixos metodológicos.

“Oferecemos educação básica e profissional. No eixo psicossocial, cuidamos da dor e do sofrimento que eles trazem por questões de abandono, violação de direitos. No terceiro eixo, trabalhamos a qualidade de vida, com cultura, lazer e atendimento médico e odontológico. E em um quarto eixo, a empregabilidade. Ao final do processo, encaminhamos estes jovens para o mercado de trabalho”, enumera a coordenadora do ViraVida.

Pedro* já passou por todos esses eixos. Hoje com 18 anos de idade e com a vida totalmente transformada, ficou por três anos sendo atendido pelo ViraVida, após ter sido encaminhado pelo PAV de Ceilândia. Aos 12 anos, ele começou a sofrer abuso psicológico e social de um desconhecido. Pouco tempo depois, a mãe descobriu, denunciou à polícia e a partir daí ele passou a ser acompanhado no Hospital Regional de Ceilândia.

“Depois disso, me encaminharam para o ViraVida. No começo era bem difícil, tinha vontade de não vir. Mas persisti e hoje já tenho metas na minha vida. Quando entrei aqui, a única coisa que queria era esperar o dia de morrer”, conta o jovem.

Assistente social do programa, Aline Machado fala da transformação de Pedro. “Ele chegou aqui uma ostra e agora virou a pérola. Não conversava, se isolava e hoje já é outra pessoa”, diz, emocionada. O jovem está terminando o ensino médio, vai prestar vestibular para pedagogia e acaba de concluir o estágio no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. “E estamos buscando, com parceiros, um emprego para ele, pois ele merece”, completa a assistente social.

O programa adotado no DF é também desenvolvido em outras cidades do País e começa a ganhar espaço internacionalmente. Hoje já é política pública em El Salvador e em breve deverá ser adotado na Guatemala.

*Os nomes dos jovens entrevistados são fictícios, para preservar a identidade dos mesmos.

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