Governo do Distrito Federal
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12/09/17 às 11h06 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Uma usina de assistência, ensino e conhecimento em favor da sociedade

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Hospital de Base constrói história de vanguarda e conquistas

BRASÍLIA (12/9/17) – Quarenta anos, certamente, não são quarenta dias. Mas para as pessoas que empregam o seu tempo – em última análise, a sua própria vida – para servir a um propósito superior, o correr dos dias e anos parece não seguir e as horas assumem outro sentido, que não pode ser medido pelos calendários. É essa a exata impressão que provoca um dos grupos atuantes no Hospital de Base do DF desde os primórdios, o ainda Distrital, que remanesce em vitalidade e entusiasmo a serviço da instituição, mesmo após quatro décadas de intensa dedicação profissional.

Um longo período, pleno em histórias de adversidades, superações e conquistas – muitas conquistas, reveladas na conversa franca em torno de uma mesa-redonda formada pelos médicos cardiologistas José Carlos Quinaglia, Osório Luís Rangel de Almeida, Pompilio Ximenes de Aragão e a assessora da diretoria, Maria Oneide Miranda, ponteada por lembranças pessoais e coletivas, que aos poucos vão formando um mosaico revelador da importância do hospital para a vida da cidade, do país e, sem qualquer excesso, para a evolução da medicina em escala global.

“Na década de 60 foi fabricada nos laboratórios do hospital uma válvula cardíaca de epóxi, disseminada não somente para o Brasil, mas para diversos outros países. No ano passado, atendi um paciente que ainda mantinha o equipamento em perfeito estado, o que comprova a qualidade e eficiência do produto”, conta com indisfarçado orgulho Osório Rangel, que integra o quadro profissional do HBDF desde 1977, mas, ainda em1968, como estudante, “já gastava sola de sapato no hospital”, relembra.

Naquela época, quando as técnicas cirúrgicas cardíacas encontravam-se a anos-luz do patamar de desenvolvimento alcançado na atualidade, os profissionais do HBDF atuavam como agentes de vanguarda. “Fazíamos cirurgias experimentais no canil de Brasília e, no pequeno auditório do hospital, como o chamávamos, discutíamos os avanços da cardiologia para, efetivamente, aplicá-los. Grandes cabeças passaram por ali”, rememora Osório Rangel.

“Na verdade, o Hospital de Base nunca deixou de ser de vanguarda. Incorporamos à nossa rotina de trabalho, em benefício direto dos pacientes, todos os meios diagnósticos, incluindo a medicina nuclear, exames de hemodinâmica e cirurgias cardíacas de alta complexidade, comparáveis aos melhores hospitais do país”, lista José Carlos Quinaglia, que atua ininterruptamente no HBDF há 31 anos.

ATUAÇÃO MUNDIAL – Entre as ações determinadas pelo corpo técnico do hospital para estimular a atualização e inserção dos profissionais na dianteira do conhecimento, está o programa de pesquisas Brazilian Heart Study (BHS), criado para estimular estudos sobre problemas coronarianos. “A iniciativa já propiciou a publicação de dezenas de artigos científicos em revistas internacionais sobre o infarto agudo no miocárdio, a principal causa de mortalidade no mundo”, relata Quinaglia.

Com o êxito do BHS, o cardiologista acredita que “fica demonstrada de forma inequívoca que é possível fazer pesquisa científica sem a aplicação de elevados recursos financeiros”. A vocação para busca do conhecimento atualizado sempre foi a tônica do HBDF, na interpretação de Osório Rangel. “Independentemente da conjuntura, o hospital sempre teve um progresso sem hiatos e, de forma invariável, está sempre à frente na aplicação de novas técnicas aqui no Distrito Federal”, analisa.

Ele acrescenta que os profissionais do HBDF estão permanentemente em trabalho de atualização, imprescindível no apoio aos três pilares que amparam a movimentação diária da instituição: assistência, ensino e pesquisa. Mesmo conduzindo esse amplo leque de atuação – que passa despercebido pela maioria dos usuários – o hospital “é o único do DF, privado ou público, que mantém todas as especialidades disponíveis, sete dias por semana e 24 horas por dia”, destaca Osório.

“É por isso que já disse a todos os meus amigos e familiares”, salienta Pompilio Aragão, “se alguma coisa me acontecer em Brasília que necessite atendimento imediato, os socorristas devem procurar o Hospital de Base”. Uma confiança construída ao longo de 39 anos, quando o cardiologista já fazia “complementação de residência no hospital”

“O forte do HBDF é o tratamento dispensado aos pacientes de forma igualitária. Todos recebem a mesma atenção, sem distinção de classe social', ressalta Quinaglia. Para manter a gigantesca estrutura, que atende diariamente cerca de 650 pessoas no ambulatório e 250 na emergência, a máquina precisa de renovação. São mantidos 52 programas de residência médica, três de residência uniprofissional e cinco multiprofissionais.

EFICIÊNCIA – Desde 2007, o hospital é credenciado pelo Ministério da Educação como instituição de ensino, “embora já atuássemos como tal desde os primeiros tempos, tendo formado milhares de profissionais a partir de então”, destaca Quinaglia. Para ele, mesmo que não houvesse o reconhecimento oficial, o HBDF seguiria no mesmo ritmo, “em virtude de espírito de comunidade que permeia o ambiente do hospital, onde se busca fazer o melhor”.

Um dos símbolos que talvez possa ilustrar essa afirmação com clareza foi um episódio ocorrido em 2006, quando seis pacientes com lesão coronariana grave encontravam-se simultaneamente no hospital, todos requerendo a realização imediata de cirurgias. “Precisávamos resolver o problema e decidimos fazer um mutirão para operá-los, o que foi feito em apenas dois dias e meio. Não me lembro, em lugar nenhum, da ocorrência de cirurgias desse porte, realizadas em espaço de tempo tão exíguo”, rememora Osório Rangel.

“Acompanhar e participar de momentos como esse, testemunhar os acontecimentos científicos vivenciados e promovidos pelo Hospital de Base, ter a oportunidade de beber na fonte do conhecimento dos grandes professores e mestres que por aqui passaram e levar esses benefícios à comunidade são situações que acabam por transformar esse local em uma extensão da nossa própria casa”, diz Pompilio Aragão, num misto de devoção e gratidão pelas décadas vividas no hospital.

A amparar a materialização dos projetos concebidos pelos renomados e reconhecidos cardiologistas, que terão aplicação prática no hospital, está a assessora da diretoria, Maria Oneide Miranda – o lado feminino na mesa-redonda – e, nas palavras unânimes dos três médicos, a responsável pelo gerenciamento administrativo das decisões. No HBDF desde 1978, ela atuou no acolhimento, serviço social, em todas as unidades de internação e na diretoria geral, “sempre na área administrativa”, destaca.

“Sou apaixonada pelo hospital”, diz Oneide, com a sinceridade de quem já se aposentou e retornou ao HBDF para continuar a “fazer parte de um local onde se prestam serviços de alta competência, criticado muitas vezes injustamente por aqueles que não conhecem a casa – temos os melhores profissionais de Brasília”, afirma com segurança.

As afirmações positivas dos três médicos cardiologistas sobre a trajetória do Hospital de Base, reafirmadas com igual convicção por Oneide – que sempre lhes prestou um reconhecido suporte gerencial – são mais do que meras palavras. São o retrato inconteste de uma instituição presente na vida da maioria dos brasilienses que, ou já passaram, ou tiveram algum parente ou amigo beneficiários dos seus préstimos.

Em áreas tão distintas como complementares, seja na assistência, no ensino ou na pesquisa, o Hospital de Base superou as fronteiras de Brasília e conquistou de forma coletiva,nos seus 57 anos – transmitindo conhecimentos de geração em geração – o reconhecimento da comunidade científica mundial. Assim, fez jus aos ideais de Juscelino Kubitschek na consolidação da cidade, que enxergava Brasília como “a manifestação inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros.”

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