Governo do Distrito Federal
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7/01/14 às 18h19 - Atualizado em 30/10/18 às 15h10

HRAN realizou 240 cirurgias de redução de estômago em 2013

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Neste ano 200 pacientes devem ser operados


O Setor de Cirurgia Bariátrica do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) operou, em média, 20 pacientes por mês em 2013. A meta para este ano é realizar 200 cirurgias de redução de estômago. A fila de pacientes prontos para o procedimento hoje, no Distrito Federal, é de 90 pessoas.

O tratamento pré-cirúrgico leva, em média, dois anos e o tempo para o pós-operatório também deve ser o mesmo. Para a psicóloga que compõe a equipe multidisciplinar da cirurgia bariátrica do HRAN, Idalice Resende, todos os pacientes devem participar de, no mínimo, oito encontros em grupos só para o tratamento psicológico. “Este é o tempo mínimo para ajudarmos a dosar fatores para que o pós-cirúrgico tenha sucesso, como por exemplo, os estímulos que os levam a comer sem controle,”, afirma.

Idalice explica que o corpo do paciente passa por mudanças muito bruscas após a cirurgia, o que interfere nos “costumes mentais” dele. “Se antes ele se satisfazia com um enorme prato de comida, isso não era apenas pela quantidade. O estímulo visual influencia significativamente nos costumes dessa pessoa”. Ela acrescenta que reestruturar a mente para a nova dieta que o corpo necessitará é fundamental e esse tratamento deve ser iniciado nos encontros pré-operatórios. “Mudar os hábitos de vida é uma forma de prevenir a mente”, arremata.

Outro complicador muito comum no pós-cirúrgico é a ansiedade. Para Idalice, aprender a controlá-la é parte crucial do tratamento. “Muitos pacientes que se submetem ao procedimento desenvolvem outros problemas psicológicos. Antes, quando o objeto de compulsão era a alimentação, ele tinha capacidade para comer sem controle. Agora, por não conseguir mais comer tanto, ele pode desenvolver outras compulsões, como o uso de álcool, pela beleza ou pela prática exagerada de exercícios físicos”, alerta.

Para o coordenador da Unidade, Rafael Galvão, o consumo de substâncias como o álcool para um paciente que se submeteu à cirurgia bariátrica tem outras proporções. “O álcool, assim como milk-shakes e refrigerantes, são bebidas muito calóricas. Cerca de 20% de pacientes ganham novamente o peso devido ao uso dessas substâncias e outros fatores, como a ausência da prática de exercícios físicos.”

O especialista completa que a periodicidade dos encontros antes e depois da cirurgia é o segredo para que o procedimento seja bem sucedido. “É nesses encontros que eles fecham o ciclo do que é feito em mesa de cirurgia. Fazemos questão de acompanhar o paciente em todas as áreas contempladas na Unidade”.

Instalações
O HRAN conta com um moderno centro para o tratamento bariátrico. São usadas cinco salas de cirurgia por semana, seis consultórios multidisciplinares e para o pós-tratamento. Cerca de 20 profissionais são exclusivos para a área, que conta com as especialidades de Psicologia, Nutrição, Endocrinologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Bariátrica, Cirurgia Plástica e Fisioterapia.

O hospital também tem o único centro do Brasil que realiza as três modalidades de cirurgia bariátrica (Sleeve, Bypass e Banda Gástrica) por videolaparoscopia, que é a cirurgia minimamente invasiva, ou seja, sem incisões. Todo segundo sábado do mês, no auditório do HRAN, são expostas todas as vantagens e desvantagens de cada modalidade da cirurgia aos pacientes e, a escolha da técnica, é feita em conjunto com a equipe e o paciente.

O coordenador do HRAN, Renato Teixeira, explica que existem pacientes que somente tiveram o primeiro atendimento com algum endocrinologista da Secretaria de Saúde do DF (SES/DF), e os que já passaram por todos os profissionais da equipe multisciplinar e estão aptos à cirurgia. “Para o primeiro grupo, a SES/DF respeita o tempo médio de dois anos, pois é o prazo para o pré-operatório”, explica.

Serviço
A “porta de entrada” para a realização da cirurgia bariátrica é a consulta com um endocrinologista da rede. O paciente interessado em dar início a esse processo deve procurar o Centro de Saúde mais próximo à sua casa e solicitar um exame com o profissional. Se for detectada a necessidade para a cirurgia, esse médico encaminhará o paciente para o Setor de Cirurgia Bariátrica do HRAN, que dará início aos tratamentos pré-operatórios mencionados.

Renato Teixeira alerta que nem todas as pessoas com excesso de peso estão aptas ao procedimento. “A importância dos exames prévios é justamente essa: detectar se há, de fato, indicação para a cirurgia. Fatores como o Índice de Massa Corporal (IMC), comorbidades (doenças que possivelmente o paciente tenha desenvolvido com a obesidade), tempo de tratamento externo e aspectos psicológicos devem ser levados em consideração para a decisão da equipe”, explica.

PorLucas Carvalho, da Agência Saúde DF
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