Governo do Distrito Federal
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15/02/21 às 23h07 - Atualizado em 3/11/21 às 17h21

Raiva

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, que acomete mamíferos e pode ser transmitida aos humanos (antropozoonose) pela mordedura, lambedura e arranhadura de animais infectados com o vírus da raiva.

 

A doença é caracterizada por sintomas neurológicos em animais e seres humanos. O vírus multiplica-se no local da lesão e migra para o sistema nervoso e a partir daí para diferentes órgãos, principalmente para as glândulas salivares, sendo eliminado pela saliva.

 

O vírus da raiva está difundido em todos os continentes, exceção feita às Austrália e Oceania. Apesar da existência da profilaxia antirrábica humana (pós-exposição ou pré-exposição), ainda morrem de raiva anualmente aproximadamente 59 mil pessoas em todo mundo.

 

A raiva é uma doença quase sempre fatal (praticamente 100% dos casos evoluem para óbito), para a qual a melhor medida de prevenção é a vacinação pré ou pós-exposição.

 

Casos no Distrito Federal

 

Apesar de não haver casos de raiva em humanos, cães e gatos no Distrito Federal, há muitos anos, a enfermidade precisa ser tratada com seriedade. Dentre as doenças infecciosas de origem viral, a raiva é a única em relação a seu alcance e ao número de vítimas que pode gerar uma encefalite aguda capaz de levar as vítimas ao óbito em praticamente 100% dos casos. A doença acomete todas espécies de mamíferos, inclusive, seres humanos.

 

O único caso da raiva humana registrado no Distrito Federal foi em 1978. O último caso diagnosticado de raiva em cães foi em 2000 e, em gatos, no ano de 2001. O vírus rábico circula no DF em quirópteros, nos bovinos, equídeos e outros animais.

O vírus da raiva fica presente na saliva de animais infectados e é transmitido principalmente por meio de mordeduras e, eventualmente, pela arranhadura e lambedura de mucosas ou pele lesionada.

 

Ciclos de transmissão da raiva – Arte Rafael Ottoni

 

Vacinação anual em cães e gatos

 

Um dos importantes pilares do programa de vigilância da raiva preconizado pelo Ministério da Saúde é a campanha anual de vacinação contra raiva em cães e gatos, de modo a manter, no curto prazo, parcela significativa dessas populações imune ao vírus. Essas campanhas foram iniciadas com a criação do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR) em 1973.

Prevenção:

 

  • Evitar mexer ou tocar em cães e gatos desconhecidos, sem donos, principalmente quando eles estiverem se alimentando, com cria ou dormindo.
  • Nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no chão ou em situações não habituais.
  • Comunicar à vigilância ambiental, ao encontrar suspeita de raiva ou mortos para recolhimento e análise.
  • Em caso de agressão não matar o animal, procurar imediatamente uma unidade de saúde.
  • ­Vacine seus cães e gatos anualmente contra a raiva. A vacinação de cães e gatos é ofertada, durante o ano todo, nos postos localizados nas Inspetorias de Saúde de Brazlândia, Gama, Ceilândia, Planaltina, Recanto das Emas, Paranoá, São Sebastião e na Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival/ zoonoses).
  • É dever do proprietário cuidar e guardar seus animais. Se houver desejo de passear com os cães e gatos nas vias públicas, é necessário uso de coleira, uma guia, evitando aborrecimentos para o dono e para os demais transeuntes.

Atualmente, estima-se que a população de cães e gatos em todo o Distrito Federal seja de 345.033, dos quais 308.419 são cães e 36.613, gatos. A expectativa é vacinar pelo menos 80% da população animal.

 

Confira aqui os postos fixos de vacinação antirrábica de cães e gatos.

Suspeita da doença

 

Quando o animal está contaminado com o vírus da raiva animal pode tornar-se agressivo, mordendo pessoas, animais e objetos, ou ficar triste, procurando lugares escuros; O latido torna-se diferente do normal; Fica de boca aberta e com muita salivação; Recusa alimento ou água, tendo dificuldade de engolir (parecendo engasgado); Fica sem coordenação motora, passa a ter convulsões, paralisia das patas traseiras (como se estivesse descadeirado); paralisia total e morte.

 

O que fazer ao ser mordido por um cão ou gato

 

Mesmo que o animal seja vacinado, é necessário lavar imediatamente o ferimento com água e sabão em barra; Procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS); Comunicar à Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, pelo telefone (61) 2017-1342 ou ao Disque Saúde – 160 pelo e-mail: zoonosesdf@gmail.com.

 

Além disso, não matar o animal agressor. Deixá-lo em observação durante 10 dias, em local seguro, para não fugir nem atacar pessoas ou outros animais. Ele deve receber água e comida, normalmente. Durante a observação, verificar se apresenta algum sinal suspeito de raiva (alteração de comportamento). Caso não seja possível observar o animal em casa, encaminhá-lo ao canil da Gerência de Vigilância Ambiental Zoonoses (GVAZ), Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, da Secretaria de Saúde.

 

Profilaxia antirrábica humana

 

Atualmente se recomendam duas possíveis medidas de profilaxia antirrábica humana: a pré-exposição e a pós-exposição, depois de avaliação profissional e se necessário.

 

Profilaxia Pré-Exposição

 

A profilaxia pré-exposição deve ser indicada para pessoas com risco de exposição permanente ao vírus da raiva, durante atividades ocupacionais exercidas por profissionais como:

 

  • Médicos veterinários, biólogos, profissionais e auxiliares de laboratório de virologia e anatomopatologia para a raiva;
  • Estudantes de medicina veterinária, zootecnia, biologia, técnicos agropecuários;
  • Profissionais que atuam no campo na captura, vacinação, identificação e classificação de mamíferos passíveis de portarem o vírus (cães, gatos, bovídeos, equídeos, caprinos, ovinos e suínos), bem como funcionários de zoológicos e clínicas veterinárias e pet shop;
  • Pessoas que desenvolvem trabalho de campo (pesquisas, investigações eco epidemiológicas) com animais silvestres (morcegos, macacos, canídeos silvestres, dentre outros); Espeleólogos, guias de ecoturismo, pescadores e outros profissionais que trabalham em áreas de risco.

 

Os profissionais que têm indicação de profilaxia pré-exposição conforme listados acima devem procurar as unidades de referência da sua área de residência para receber a vacina. Apresentar comprovante de atividade ocupacional de risco ao vírus da raiva (crachá funcional, declaração laboral, declaração escolar).

Confira aqui a lista de locais, dias e horário de atendimento em que se realiza a profilaxia raiva humana pré-exposição.

 

Profilaxia Pós exposição

 

Em caso de acidente com animal e possível exposição ao vírus da raiva, é imprescindível a limpeza do ferimento com água corrente abundante e sabão ou outro detergente, pois essa conduta diminui, comprovadamente, o risco de infecção. É preciso que seja realizada o mais rápido possível após a agressão e repetida na unidade de saúde, independentemente do tempo transcorrido.

 

Deve-se fazer anamnese completa, utilizando-se a Ficha de Atendimento Antirrábico Humano (Sinan), visando à indicação correta da profilaxia da raiva humana.

 

As exposições (mordeduras, arranhaduras, lambeduras e contatos indiretos) devem ser avaliadas de acordo com as características do ferimento e do animal envolvido para fins de indicação de conduta de esquema profilático, conforme esquema de profilaxia da raiva humana com vacina de cultivo celular.

 

Confira aqui a lista de salas de vacinas e horário de atendimento em que se realiza a profilaxia da raiva humana pós-exposição e as unidades hospitalares  em que é feita a aplicação de soro e imunoglobulina antirrábica humana.

 

 

Cuidados em caso de agressão por animal (mordedura, arranhadura e lambedura):

 

  • Lavar imediatamente o ferimento com água e sabão;
  • Procurar uma unidade de Saúde para avaliar a necessidade de profilaxia antirrábica (vacina ou soro);
  • Informar ao profissional de saúde sobre a condição de saúde do animal (alteração do comportamento, agressividade);
  • Nunca interromper o tratamento profilático (vacinação) por conta própria;
  • Em casos de animais suspeitos acionar a vigilância ambiental para recolhimento do animal e análise pelo 160 ou email: zoonosesdf@df.gov.br.

 

Edição: Johnny Braga

Arte: Rafael Ottoni/Arquivo SES